O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio de Janeiro, Wadih Damous, condenou nesta terça-feira a possibilidade das Forças Armadas assumirem o combate a violência no Rio, conforme sugeriu o governador Sérgio Cabral. Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança estavam à disposiçaõ do Estado.
- O uso das Forças Armadas mais uma vez é invocado para resolver problemas da Segurança Pública. E, mais uma vez, não vai resolver. Passados alguns dias, os soldados voltam para os quartéis e os problemas permanecem. As Forças Armadas não foram criadas nem treinadas para o policiamento permanente -.
Para o presidente da OAB-RJ o que a população necessita para que haja uma redução dos índices de violência é de um plano estratégico de segurança pública, que envolva metas e objetivos de curto, médio e longo prazo. - Faz-se necessário uma política de combate à corrupção policial, que enfrente a questão da formação, do patamar salarial dos policiais, que aperfeiçoe o recrutamento, que fortaleça e prestigie as corregedorias de polícia -.
Segundo Damous, é preciso com urgência que sejam empreendidas reformas profundas nos sistema penal e no aparelho policial. - Uma política de segurança consistente, e não meramente circunstancial, deve integrar diversas áreas como cultura, educação, saúde e trabalho, com atenção especial à juventude carente e desassistida - concluiu.
O Governador Sérgio Cabral falou sobre a presença das Forças Armadas no combate à violência no Rio, antes da inauguração do emissário da Barra, na Zona Oeste, na manhã desta terça-feira. Ele reafirmou a intenção de solicitar a ajuda do Governo Federal:
- Auto-suficiência é uma palavra que não deve constar no vocabulário. E sim parceria. Todas as ações bem sucedidas passam por parcerias em diferentes níveis de poder - disse.
Sérgio Cabral e a sua esposa Adriana Ancelmo compareceram na tarde desta segunda ao enterro do policial militar Guaracy Oliveira da Costa, 27 anos, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, Zona Oeste do Rio. Visivelmente irritado, Cabral se comprometeu a pedir mais homens ao Governo Federal para cuidar da segurança do Rio.
- Não agüento mais ir a velório. Não vou passar quatro anos indo a velório de braços cruzados. Vou pedir o aumento do efetivo da Força Nacional de Segurança no Estado e vou pedir pessoalmente ao presidente Lula, que vem ao Rio quarta-feira, a presença das Forças Armadas. Nós temos 6 mil fuzileiros navais no Rio que podem ajudar. A polícia do Exército é forte, a da Marinha e a da Aeronáutica também. Por que não estão nos ajudando? - indagou. E completou: - A PM está sobrecarregada -.
O governador falou ainda que pretende ir à Prefeitura pedir a ajuda da Guarda Municipal.
- A Guarda Municipal conta hoje com 5 mil homens. Por que eles também não podem ajudar? - questionou. Cabral finalizou sua declaração afirmando que em breve vai abrir concurso público para 2.000 vagas de policiais militares no Estado.