Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto divulgou nota, neste domingo, na qual pede a apuração rigorosa das denúncias contra o delegado Protógenes Queiroz. De acordo com reportagem da revista Veja, o policial federal teria vasculhado autoridades de forma ilegal, o que ele nega e afirma ser "um monte de mentiras" da publicação semanal.
Britto propõe que a CPI dos Grampos investigue "a fundo" as possíveis ações ilegais praticadas pelo funcionário público, responsável pela Operação Satiagraha. Para a instituição, é preciso que se crie um órgão de controle externo para monitorar a atuação das polícias e evitar abusos.
"Urge, pois, que se prorrogue a CPI dos Grampos, na Câmara dos Deputados, e que se investigue a fundo a denúncia publicada por Veja, cuja gravidade nos coloca diante de um escândalo institucional intolerável e sem precedentes em sua extensão", afirma, em nota, o presidente da OAB.
Em sua edição deste fim de semana, a revista Veja divulga um suposto material que teria sido recolhido pela Polícia Federal num laptop e num pen drive do delegado Protógenes. Segundo a reportagem, o delegado, teria espionado ilegalmente a vida de diversas autoridades, como a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), além de senadores e deputados.
"A denúncia reforça proposta da OAB para que se crie, a exemplo do que ocorreu no Judiciário, um órgão de controle externo para as polícias. No Estado democrático de Direito, não pode haver instituições do Estado impermeáveis à fiscalização da sociedade", defende a OAB. "A denúncia de múltiplos grampos ilegais, atribuídos à responsabilidade do delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, no curso da Operação Satiagraha, excede as mais pessimistas estimativas de agressão e afronta ao Estado democrático de Direito", acrescentou Britto.
Na nota, o presidente nacional da OAB observa ainda que a entidade já havia denunciado o que classifica de "Estado de Bisbilhotice" e avalia que a realização de grampos e monitoramentos irregulares "põe em insegurança toda a cidadania".
Monte de mentiras
Ao blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, o delegado Queiroz qualificou de "mentira" as denúncias. Ele acrescentou que nada de novo foi apresentado, e que não teria nada da vida amorosa da ministra Dilma e deo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, o que seria "mentira da revista".
A própria ministra Dilma negou, neste domingo, que pudesse ter sido grampeada, pois há muito tempo não tinha vida amorosa, e que estava solteira.