Inconformado com o tratamento diferenciado que teria sido dispensado aos parlamentares acusados de envolvimento nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas e os presos pela Polícia Federal na operação que desmantelou a máfia dos caça-níqueis, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Minas Gerais cobra tratamento igual para todos os acusados. O presidente da seccional mineira, Raimundo Cândido Junior, defende uma punição exemplar para os magistrados acusados de vender sentenças, mas afirma que a PF não pode usar dois pesos e duas medidas. Segundo ele, parece haver uma campanha para desmoralizar o Judiciário.
- Parece que há uma campanha ostensiva para desmoralizar a justiça e com isso desviar o foco daquelas figuras carimbadas que se envolveram em verdadeiros esquemas fraudulentos com o dinheiro público. Estão querendo transformar o Judiciário na geni deste país. Não vi nenhum deputado ser algemado nas Operações da Polícia Federal - afirma Raimundo Cândido.
Para o presidente da seccional da OAB no Rio, Wadih Damous, as denúncias de compra e venda de sentenças e até mesmo de vazamento de gabaritos de provas do concurso para juiz do Tribunal de Justiça do Rio demonstram que o Judiciário precisa de um banho de transparência. Ele atribui esse tipo de irregularidade às falhas do controle interno do Judiciário.
- Se os mecanismos internos de controle disciplinar desses tribunais funcionassem como deveriam, alguns desses episódios que estamos vendo agora não existiriam, pois já teriam sido cortados de antemão, pela raiz. Mas, infelizmente, os controles internos do Judiciário ainda são permeados por um imenso corporativismo e isso acaba fazendo com que o controle tenha que ser exercido por outros órgãos, como o Ministério Público e a Polícia Federal - afirma.
O presidente nacional da Ordem, Cezar Britto, defende o afastamento de todos os magistrados envolvidos para preservar a imagem do Judiciário e até mesmo para assegurar a defesa deles. Para Britto, as últimas operações da PF deixaram a imagem do Judiciário arranhada.
- E uma forma de evitar que esse arranhão se transforme em ferida aberta é afastando da atividade judicante aqueles envolvidos nos escândalos, para garantia da imagem do Poder Judiciário e a segurança na própria defesa dos acusados - afirma.