O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, criticou neste domingo duramente os primeiros 13 meses da gestão do governo Lula, afirmando que, transcorrido um terço do mandato, "há um abismo entre as promessas de mudança feitas na campanha eleitoral e a ortodoxia do modelo econômico em vigor, que dá continuidade ao do governo anterior e mantém o apartheid social intocável".
As críticas de Busato se estenderam até mesmo o campo ético que, segundo ele, "também são preocupantes". Ele lembrou a denúncia feita recentemente, envolvendo o ex-assessor do ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz, que negociava propinas no submundo da contravenção e agia como lobista junto a um banco estatal - a Caixa Econômica Federal - defendendo interesses de uma empresa multinacional.
"Preocupa-me menos o escândalo em si e mais a atitude do governo federal, agindo no sentido de impedir a investigação política, mesmo já estando configurado que o episódio não se circunscreve ao delito isolado de um mau servidor público. Há conexões claras com outros servidores, que semeiam dúvidas com relação à conduta de personagens do primeiro escalão político do governo, que deveria ser o mais interessado em separar o joio do trigo", afirmou.