A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP ) está investigando uma informação de que a prova do exame nº 134, que seria aplicada no último domingo e foi cancelada por suspeita de fraude, teria sido vendida para um aluno de Santo André, na Grande São Paulo, por R$ 2.500.
Segundo a assessoria de imprensa da OAB-SP, o aluno teria comprado a prova de um funcionário da Fundação Vunesp, responsável pela impressão e aplicação do exame. Com o cancelamento do exame, esse aluno teria procurado um jornal da região para apresentar a documentação que comprovava que o conteúdo havia vazado. O repórter que publicou a matéria foi chamado para depor na OAB-SP e apresentou partes da prova que o aluno teria comprado. Segundo a OAB, o documento era original.
Com isso, a OAB-SP suspeita que o conteúdo tenha vazado em outros lugares, além de Santo André e São Sebastião da Grama. A Fundação Vunesp informou que não vai se manifestar para não atrapalhar as investigações.
Na quarta-feira, o diretor-presidente da Vunesp, Benedito Antunes, emitiu uma nota oficial informando que estava à disposição da Polícia Federal para auxiliar nas investigações. "Assim como a Polícia Federal e a OAB-SP, a Vunesp é também uma instituição voltada para o interesse público e, por essa razão, está plenamente empenhada no combate a ações fraudulentas nos processos seletivos e na cabal apuração desse fato gravíssimo, que não pode permanecer impune", dizia a nota.
O presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, declarou que a responsabilidade pelo sigilo do Exame de Ordem 134, que foi fraudado, é da Vunesp, fundação que faz a montagem, impressão e aplicação da prova.
Em entrevista concedida na sede da PF de São Paulo, D'Urso apresentou a cópia de duas páginas do teste, com as questões de 19 à 30, que teriam vazado antes da aplicação do exame. As questões estavam no padrão usado pela Vunesp.
– A prova circulou já formatada antes de sua aplicação. A OAB não tem acesso à prova física - que é montada dentro da Vunesp com as questões fornecidas por nós - então o vazamento não aconteceu no âmbito da ordem, mas sim depois do início da confecção pela Vunesp, justificou D'Urso.
De acordo com D'Urso, se a investigação confirmar que o vazamento das questões se deu na Vunesp, o contrato com a fundação será suspenso.
– Espero que até o fim do ano já tenhamos esclarecido o caso. Tenho convicção que existe uma quadrilha que está entregando este material", disse o superintendente da PF, Jaber Saadi, referindo-se também às possíveis fraudes apontadas em concursos para a Câmara de São Paulo e Polícia Rodoviária Federal.
O exame foi cancelado depois de uma denúncia de fraude na noite de sábado (8). As páginas apresentadas por D'Urso foram obtidas pelo promotor Ernani de Menezes Vilhena Junior, que atua em São Sebastião da Grama, no interior de São Paulo. O promotor ainda não prestou depoimento, mas D'Urso adiantou que um aluno ou um professor de um cursinho preparatório para o Exame de Ordem estaria envolvido.
No sábado, Vilhena Júnior informou o conteúdo da denúncia ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Rodrigo Pinho, que encaminhou as informações à OAB-SP. Ao comprovar que as questões recebidas pelo promotor faziam parte da prova que seria aplicada no dia seguinte, o presidente da OAB-SP cancelou o exame, do qual participariam cerca de 25 mil bacharéis em direito.
A OAB-SP vai remarcar para o próximo ano as provas que foram canceladas. Os candidatos que se inscreveram para o exame 134 estarão automaticamente inscritos para as novas provas.
OAB apura venda de prova por R$2.500 em São Paulo
Sexta, 14 de Dezembro de 2007 às 08:16, por: CdB