O bispo de Barra, na Bahia, dom Luiz Flávio Cappio, entrou, nesta quarta-feira, no décimo dia de greve de fome deflagrada contra a transposição das águas do rio São Francisco.
Dom Cappio ganhou a solidariedade incondicional de presidentes de Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de cinco dos sete estados da zona de influência do projeto.
Os presidentes das Seccionais da OAB de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe manifestaram sua solidariedade à causa do bispo, pela qual também estão lutando barrar o projeto da transposição do Rio São Francisco, que consideram algo que ferirá de morte o 'Velho Chico'.
O presidente da OAB na Bahia, Dinailton Oliveira, elogiou a coragem cívica do religioso, preocupado com a instransigência do governo e a determinação do bispo.
- Entendo que a responsabilidade política para com a vida do bispo é do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - alertou Oliveira.
Contra a greve de fome mantida pelo religioso manifestaram-se os presidentes das Seccionais da OAB do Ceará e Rio Grande do Norte, que não vêm motivos para revogação do projeto de transposição do São Francisco, o qual defendem sob argumentação de que levará água a milhares de sertanejos que hoje sofrem com a seca.
Ambos tacharam a atitude do bispo - que se encontrava em uma capela de Cabrobó (PE) onde será captada a água do projeto de transposição - de extremada e radical. Para o presidente da OAB-RN, Joanilson de Paula Rego, a decisão de dom Luiz Flávio Cappio não é compatível com a serenidade e o equilíbrio da Igreja Católica.