É de extrema importância a leitura da entrevista de Roberto Messenberg, coordenador do grupo de análises e previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e do mais recente relatório do órgão. Eles eles denunciam que o mercado financeiro está fazendo terrorismo com a possibilidade de estouro da inflação.
Messenberg assinala que não há chances de hiperinflação no Brasil e que esta estratégia alarmista é movida pelo temor em relação à nova agenda socioeconômica do governo Dilma Rousseff. "Não há, nos fundamentos da nossa economia, possibilidade de que a inflação saia de controle", diz ele.
"Esta é uma estratégia terrorista das instituições financeiras - completa o coordenador do IPEA - para sabotar as mudanças da agenda econômica do Brasil, que caminha na direção contrária de seus interesses".
O economista adverte, ainda, em sua entrevista, que não se deve confundir elevação do nível de preço com inflação. Para ele, está havendo uma mudança de preço relativa no Brasil, sem aumentos generalizados.
Para IPEA, Brasil pode crescer até 5% este ano
A entrevista de Messenberg ocorreu na divulgação do mais recente relatório em que o IPEA prevê para este ano um crescimento entre 4% e 5% da economia. "Apesar dos mesmos fatores que impulsionaram a economia no ano anterior (2010) ainda estarem presentes, as medidas adotadas pela autoridade monetária, temendo um possível descompasso entre oferta e demanda, deverão reduzir o ritmo do crescimento", constata o IPEA.
Para chegar à previsão destas taxas de crescimento, o IPEA considerou que a expansão econômica de 7,5% em 2010 já deixou garantido um crescimento de no mínimo 1,2% neste ano. Para a inflação, a previsão é que o IPCA feche o ano entre 5% e 6%. Acima, portanto, dos 4,5% do centro da meta, mas ainda dentro da margem de tolerância com a banda que vai até 6,5%.
"A tendência para os próximos meses é de continuidade das taxas de inflação em patamares elevados", reconhece o relatório. O IPEA prevê, tb, um aumento no déficit em conta corrente entre US$ 63 e US$ 73 bi.
Segundo o instituto, o consumo e os investimentos "mesmo num ritmo mais lentos continuarão crescendo acima do PIB, o que manterá pressionada a demanda por bens importados". Mas, de acordo com o Instituto, o fluxo de capitais externos será mais do que suficiente para garantir esta expansão.
O terrorismo quanto a estouro da inflação
Quinta, 14 de Abril de 2011 às 06:10, por: CdB