Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

O terrorismo como legenda e caligrafia do poder global

Por Luis Fernando Novoa Garzon - O superimpério, ao desenhar o novo mapa do mundo, fez do terrorismo legenda providencial. Inversão do método socrático. A resposta gera e cria a pergunta. O contraterrorismo concebe o terrorismo. Abismos criados pela globalização são janelas de oportunidade para o totalitarismo. Para cada reação há uma ação correspondente. Uma doutrina do revide antecipado vale por mil teorias conspiracionistas. (Leia Mais)

Quarta, 13 de Agosto de 2003 às 20:19, por: CdB

O superimpério, ao desenhar o novo mapa do mundo, fez do terrorismo legenda providencial. Inversão do método socrático. A resposta gera e cria a pergunta. O contraterrorismo concebe o terrorismo. Abismos criados pela globalização são janelas de oportunidade para o totalitarismo. Para cada reação há uma ação correspondente. Uma doutrina do revide antecipado vale por mil teorias conspiracionistas.

Fechados os últimos acordos, tudo o mais é verticalidade e congruência. Os atentados atribuídos ao "terrorismo internacional" têm o mesmo vício de origem, pecam por excessiva coerência: a) compartilhamento dos canais financeiros do crime organizado para a movimentação do dinheiro necessário para operações de logística, infiltração e cobertura; b) simultaneidade dos ataques com o uso de sofisticados aparatos eletrônicos e de comunicação; c) simulação e/ou instrumentalização de comandos suicidas; d) oportunidade da escolha dos países a serem atacados, quando inimigos para incriminá-los, quando aliados para enquadrá-los; e) precisão na localização de alvos de forte apelo para o grande público, espetacularizando o risco do gran finalle apocalíptico.

Administrados a partir de uma rede mundial, os ataques terroristas têm caligrafia inconfundível. Seus caracteres batem com os das agências de inteligência e forças especiais, militares e paramilitares dos EUA, Reino Unido e Israel. A Al Qaeda nunca romperá com seus laços de sangue. Sua marca de origem é indelével, como se pode ver a seguir.

1. Indonésia, ilha de Bali, sábado, 12 de outubro de 2002

Oportunidade: a Indonésia é o maior país islâmico do mundo, com cerca de 200 milhões de habitantes. O país tem peso econômico e sociocultural para desequilibrar as relações de poder do Sudeste Asiático. Com a queda da ditadura (pró-EUA) de Suharto, a Indonésia foi tomada por uma onda nacionalista e fundamentalista, o que colocou em questão o alinhamento geopolítico do país.

Alvos: 183 mortos, mais de trezentos feridos. Três bombas com material explosivo C4, fabricado exclusivamente nos EUA e em Israel para uso somente de suas Forças Armadas, explodiram em uníssono. Uma, em um bar irlandês, outra, na badalada discoteca Sari, ambos lugares intensamente freqüentados por turistas ocidentais. A terceira foi para norte-americano ver, explodiu a duas quadras do consulado dos EUA na ilha.

Autoria: "Que se saiba que cada gota de sangue muçulmano será lembrada", diz a mensagem do até então desconhecido grupo al-Katibul Maut al-Alamiya ("La Brigada Internacional de la Muerte"). A incriminação já vem embutida no nome: a morte é sua insígnia. A mensagem plantada insiste que os atos foram suicidas. É proibido duvidar. Mais uma das infinitas "ramificações" da Al Qaeda. Na casa do principal suspeito, imã Samudra, não poderiam faltar vídeos e livros do grande chefe Osama. A estupidez dos que plantam é a mesma dos que colhem, ou seja, acreditam.

2. Quênia, cidade de Mombaça, quinta-feira, 28 de novembro de 2002

Oportunidade: antevéspera da convenção do Likud, partido conservador, que confirmaria Ariel Sharon na liderança de Israel. O Quênia já fazia parte do "mapa do terrorismo" depois da explosão da embaixada dos EUA em agosto de 1998.

Alvos: quinze mortos, entre eles três israelenses. Enquanto cem turistas israelenses se registravam em um hotel, pertencente a um grupo financeiro de Israel, as bombas explodiam em um setor anexo. Concomitantemente, um avião israelense com 261 passageiros que partia da cidade em direção a Tel Aviv "quase" foi atingido por um míssil não identificado.

Autoria: um comunicado bastou para resolver o "mistério". Um grupo auto-intitulado Exército da Palestina ou Governo da Palestina Universal no Exílio reivindicou a responsabilidade dos ataques. O grupo, no entanto, não é conhecido nem reivindicado por ninguém no mundo islâmico. Incubar, inocular, escafeder. A Divisão de Operaç

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