Nestesdias, a opinião pública foi inundada por reportagens e reflexões sobre o décimoaniversário dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos. As emissoras detelevisão nos mostram novamente as torres gêmeas sendo atingidas por aviões eas pessoas gritando de pavor nas ruas de Nova York. É pena que nenhumareportagem ajude o povo norte-americano a se rever e a descobrir os vírus deintolerância e violência que proliferam nos Estados Unidos e criam condiçõesmais fáceis para tragédias como aquela. Infelizmente não somente esta revisãonão é feita, como, ao contrário, aquele ato terrorista forneceu o pretexto parao governo dos Estados Unidos jogar fora a máscara de democracia, desrespeitarnormas da ONU e invadir países asiáticos, ricos em petróleo. Ele substituiu oterrorismo de grupos fanáticos por um terrorismo oficial, elevado à categoriade política de Estado e usado para insuflar o medo coletivo e justificar arbitrariedadesjurídicas e guerras.
Desde2001, vários cientistas têm afirmado: atualmente, a maior ameaça para ahumanidade não é o terrorismo. É a destruição do próprio planeta em quevivemos. As mudanças climáticas e desastres ambientais estão provocando dez vezesmais mortes e destruições do que quaisquer atentados terroristas. Ou mudamosesse modelo de desenvolvimento predatório ou não teremos futuro. É urgentebuscar alternativas a esta civilização predominantemente mercantilista ecombater corajosamente a exploração não sustentável dos recursos naturais, daforça de trabalho humano e do patrimônio cultural de toda humanidade.
Nasemana passada, o 17º Grito Nacional dos Excluídos denunciou: no Brasil,segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foramencontrados agrotóxicos em quase todos os alimentos que vão à nossa mesa. Otomate apresenta 27% de agrotóxicos, o arroz de cada dia, 24%. O pimentão chegaa concentrar 80% de veneno. Desde 2009, o Brasil é o maior produtor deagrotóxicos do mundo. São 5, 2 litros/ano por habitante. A expansão do modelode produção agrícola que visa o agronegócio e a exportação é responsável pelodesmatamento de nossas florestas, envenenamento dos alimentos e contaminação dapopulação. Nenhum ato terrorista é tão grave quanto essa indústria deenfermidades para a humanidade e para todo ser vivo. A aprovação do novo CódigoFlorestal provocará um aumento do desmatamento, a suspensão de multas epenalidades para quem cometeu crimes ambientais e as áreas de preservação serãodiminuídas.
Sejacomo for, temos mil motivos para esperar no futuro. Em toda a América Latina,está ocorrendo um novo protagonismo de movimentos sociais, em diálogo com asculturas indígenas e negras, assim como com mobilizações surpreendentes dajuventude mais consciente.
Emuma de suas cartas, São Paulo diz que toda a natureza (a criação) sofre comodores de parto. Diz ainda que nós, seres humanos, recebemos as "primícias doEspírito”, isto é, o amor divino para nos transformar interior e socialmente(Rm 8, 22- 23). Essa energia está em nós como primícias, isto é, semente a sercultivada e desenvolvida por uma forma solidária de viver. Ela se expressa nasrelações de ternura com os que nos são próximos e na solidariedade a todapessoa que sofre. É como uma bússola interior que torna possíveis as melhoresesperanças da humanidade e pode garantir: o mundo está salvo.