Cazuza - o tempo não para, é um título muito mais feliz e apropriado do que o próprio filme. Por que? Porque fizeram uma produção ambientada nos anos 80, com o maior astro brasileiro dos anos 80, que tem tudo, menos cara de anos 80. Exemplos não faltam, desde as poucas referências culturais (por exemplo, só tocou Você não soube me amar, da blitz, e justamente quando aparece o Circo Voador - que, aliás, ficou bastante chinfrim), até o figurino, modo de falar, fotografia, etc. O filme não conseguiu trazer a cafonice daquela década e acabou ficando cafona quando não tinha que ser.
O único que conseguiu tirar algum proveito da coisa toda foi Daniel de Oliveira, que interpreta de forma bastante fiel o exagerado cantor do Barão Vermelho. Aliás, falando em Barão, há uma elipse no filme que exclui o Barão Vermelho 2, um dos melhores discos da banda. Aliás de novo, boa parte da carreira do Cazuza também não foi sequer citada em forma de músicas durante os 90 minutos de filme. Onde estão músicas de Só se for a dois, ou o polêmico Burguesia? Parece que foi um filme no qual só usaram músicas do cantor executadas na Globo FM.
É complicado fazer um filme retratando um dos maiores nomes da música brasileira. É rápido demais e os acontecimentos são pouco aprofundados, tornando um filme superficial, corriqueiro e sem nenhum aprofundamento real em torno das questões que atormentavam o astro (sua busca por uma identidade musical, sua doença). A melhor desculpa para se assistir a Cazuza - o tempo não para é unicamente para referenciar um dos melhores atores de sua geração, Daniel de Oliveira.
Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026
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