Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

O sufocamento: Emigração para o Primeiro Mundo

Por Luís Carlos Lopes - Por vezes, ganham atenção os casos onde o racismo anti-imigrante se manifesta. É verdade que ninguém ousa chamá-lo pelo seu verdadeiro nome. Esta modalidade de ódio é de conformação mais recente, herdeira de ódios étnicos mais antigos. (Leia Mais)

Terça, 25 de Março de 2008 às 15:17, por: CdB

As grandes mídias têm tangenciado, quase sempre sem investigar e problematizar, a questão das migrações em direção ao chamado primeiro mundo. Tal como é habitual, isto vem sendo tratado pelo viés do espetáculo, onde o mais significativo é o comportamento transgressivo de alguns imigrantes ou as sucessivas deportações dos que tentam entrar na pretensa ‘terra prometida’.

Por vezes, ganham atenção os casos onde o racismo anti-imigrante se manifesta. É verdade que ninguém ousa chamá-lo pelo seu verdadeiro nome. Esta modalidade de ódio é de conformação mais recente, herdeira de ódios étnicos mais antigos. No máximo, se fala, suavizando lingüisticamente, em discriminação e injustiça.

É comum apontar-se o fato de que alguns dos deportados são confundidos com os imigrantes ilegais. Parece que estes são entendidos como ‘criminosos’ e ‘indesejáveis’, obviamente, com elevada dose de hipocrisia, especialmente, quando deram e dão lucros ao país que os acolheu.

Os mais ingênuos pensam que as pessoas que vão a estudo, trabalho legal, os simples turistas, ou ainda, os visitantes de suas famílias de origem deveriam ter passe livre. Eles, por desinformação e credulidade, acreditam que na ‘terra prometida’ sempre há justiça e paz. Fica claro que muitos desses também podem ser barrados e, depois de vários constrangimentos, deportados. Sendo tratados como os demais, simplesmente porque provêm da mesma origem.

Atender a todas a regras impostas aos que chegam significa pertencer aos grupos sociais mais ricos e mais informados. Vestir uma roupa mais simples, ter a pele, mesmo que um pouco, escura ou o cabelo crespo, são péssimos sinais frente às autoridades. Estas fazem a triagem entre os que podem e os que devem ser barrados. Dependendo do caso, a posse do passaporte verde do Brasil, dentre outros de países do hemisfério sul, pode ser um elemento negativo. Afinal, não parecer com os pobres de lá é o principal critério de admissão no ‘paraíso’.

É suspeito ser jovem, ter pouco dinheiro no bolso e não saber exatamente onde se vai e o que se quer na viagem em curso. Respostas ‘erradas’, indecisões, imprecisões significam, ao olhar atento das ‘zelosas’ autoridades locais, que você é um potencial inimigo. Nestes casos, estas acreditam que, possivelmente, você é mais um imigrante ilegal que trabalhará por pouco, em economias que, agora, vivem em recessão. Estará, portanto, ‘roubando’ um emprego de um nativo ou incomodando, por pertencer a fratura social do desemprego local.

Antes, apesar da existência dos preconceitos, tudo ia bem. Os imigrantes, mesmo ilegais, davam um lucro fabuloso. Significaram e ainda significam trabalho barato, que enriqueceu e ainda enriquece os de sempre. Hoje, há menos postos disponíveis e muitos os disputando, mesmo que seja para limpar as privadas. Deseja-se disciplinar a vinda e a entrada nas nações do hemisfério norte. Escolher mais os que podem entrar, dispensando aqueles que sobram em seus países de origem. O que se está assistindo é a uma inflexão da política de imigração real dos países mais ricos.

O melhor é trazer os mais ‘brancos’, mais estudados e menos doentes. Nestes, não é necessário investir tanto. O lucro é ainda maior e não raro, por lá, eles vão descer os degraus sociais. Serão trabalhadores comuns com um nível de escolaridade e capital cultural elevados. Quase sempre, os de lá não possuem as mesmas características e qualificações, quando exercem as mesmas funções. Um bom negócio para quem emprega ou sub-emprega este tipo de imigrante.

O sufocamento que leva à opção pela imigração é substituído pelo sufocamento no frio do ‘paraíso’. Alguns passam pelo gargalo e até conseguem manter as mesmas posições que tinham nos seus países de origem. Poucos sofrem uma ascensão social apreciável. Outros, os que vêm de situações-limite (guerras, crises econômicas profundas etc), conseguem sobreviver em melhores condições. Infelizmente, uma grande parcela, principa

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