Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

O sapo, o escorpião e o PMDB no governo Dilma

Quinta, 02 de Junho de 2011 às 12:40, por: CdB

Por Bruno Lima Rocha 02/06/2011 às 18:20

Tem situações que se apresentam como um cheque-mate conceitual já em seu ponto de partida. A analogia acima se aplica perfeitamente na relação entre o PMDB e o governo de Dilma Rousseff, desde que a aliança fora articulada ainda por Lula, seguindo a recomendação do ex-homem forte de seu primeiro governo, José Dirceu de Oliveira e Silva.


Michel Temer e José Sarney encarnam o espírito majoritário dos aliados de Dilma.

O sapo, o escorpião e o PMDB no governo Dilma


02 de junho de 2011, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha

Tem situações que se apresentam como um cheque-mate conceitual já em seu ponto de partida. A analogia acima se aplica perfeitamente na relação entre o PMDB e o governo de Dilma Rousseff, desde que a aliança fora articulada ainda por Lula, seguindo a recomendação do ex-homem forte de seu primeiro governo, José Dirceu de Oliveira e Silva. Era visível o fato de que a coligação de oligarquias estaduais aglutinada sob a legenda da ex-oposição oficial a ditadura militar iria pôr, em todos os momentos necessários, o Planalto ? ou o ?seu governo? - contra a parede. Enfim, foi o que ocorreu na semana anterior e vale repetir a ladainha, ?não foi por falta de aviso?.
Como uma analista comentou em rede nacional de TV durante a crise de 2005, o PMDB é para profissionais e eles não brincam em serviço. Para tanto, os correligionários de Michel Temer se aproveitam de circunstâncias de tensão, ocasionadas pela votação na Câmara Federal do relatório escrito pelo deputado ex-comunista Aldo Rebelo. Ora, se já é difícil conseguir disciplina partidária entre membros de um mesmo diretório municipal, o que dirá através do pulso firme de um ministro enfraquecido (Palocci), tentando emparedar o vice de um governo composto por uma colcha de retalhos?!

A parábola do título do artigo traz consigo uma crítica rotineira de minha parte ao chamado pragmatismo político. O preço pago pela tal da governabilidade, atendendo ao presidencialismo de coalizão, é a mesma do sapo a transportar o escorpião para cruzar um charco. É da natureza da política a relação de força e o aproveitar-se de situações extremas para pressionar elementos mais fracos do aliado de ocasião. Pois é disso que se trata, ao menos da parte majoritária do PMDB e de boa parte dos petistas arrependidos do de seu passado militante.

Temos de reconhecer a sinceridade de ex-arenistas quando declaram publicamente ou ao forçar alguns vazamentos indiscretos e inconvenientes. Quando se vêem contra a parede, executam suas manobras sem muito cuidado ou preservação das aparências. Os peemedebistas hoje pedem a cabeça de Palocci numa bandeja, e não o criticam por sua conduta como consultor. Trata-se somente da disputa por orçamentos e cargos, a queda de braço é para ver quem coage primeiro a presidenta, se o PMDB, se o próprio ex-prefeito de Ribeirão Preto ou Luiz Inácio, convocando-se, mais uma vez, como salvador da pátria. Lição política. Ninguém mexe com a turma de Temer e Sarney impunemente, custe o que custar, incluindo o ?seu governo?.


www.estrategiaeanalise.com.br

 http://twitter.com/estanalise

Estratégia & Análise: a política, a economia e a ideologia na ponta da adaga.

Expediente
Editor Bruno Lima Rocha
Contato com o editor:  bruno.estrategiaeanalise@gmail.com
skype: bruno.lima.rocha
Revisão, diagramação e envio: Lisandra Arezi

Agradecemos a publicação deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o favor de enviar para nosso endereço eletrônico o LINK da página onde o texto foi reproduzido.
Gratos pela atenção:

Equipe Estratégia & Análise

Email:: blimarocha@gmail.com
URL:: www.estrategiaeanalise.com.br

Tags:
Edições digital e impressa