Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2026

O rosto bonito da esquerda francesa

Segunda, 23 de Abril de 2007 às 05:57, por: CdB

Tudo exceto Sarkozy é o apelo da esquerda francesa, unida em torno da candidata Ségolène Royal, para o segundor turno das eleições francesas dia 6 de maio.

 

Pode parecer distante e sem importância a eleição presidencial na França, onde se qualificaram para o segundo turno, o candidato da direita, falsamente golista, Nicolas Sarkozy, e a candidata socialista Ségolène Royal. Mas não é. Desde há muito tempo, a França serve de modelo para movimentos sociais em todo mundo. Bem antes da revolução estudantil de 68, tinha havido a Comuna de Paris, precedendo a Revolução russa, e ainda bem antes, o Iluminismo que levou à Revolução francesa, ponto de partida e de referência para todas as outras revoluções.

Os EUA são importante financeiramente, sede do império capitalista neo-liberal, mas não lançam modas em termos de pensamentos políticos e sociais. Ainda antes de Voltaire e Jean-Jacques Rousseau, é na França que se define o futuro do pensamento mundial. E não são só os filósofos, literatos ou artistas franceses que lançam as idéias, destinadas a germinarem também em outros países.

O rabugento povo francês é fator determinante. Talvez não exista outra país cujo povo saiba tão bem defender e lutar por seus direitos. Existem greves e manifestações quase todos os dias na França, onde a solidariedade faz, por exemplo, os usuários do metrô aceitarem greves por compreenderem seu direito de ter reivindicações.

Os franceses estão habituados a derrubar ministros com suas mobilizações de massa e fazer governos anularem projetos, enquanto os políticos mais teimosos acabam liquidando definitivamente sua carreira política ao insistir em fazer frente à vontade popular.

Ora, apesar do avanço do neo-liberalismo em todo mundo, leiloando direitos trabalhistas conseguidos duramente no passado, instituindo o trabalho temporário e incerto como regra mundial, colocando o lucro e os dividendos dos acionistas acima do interesse humano e social, os franceses têm erguido barricadas de resistência.

Mas nem sempre a vitória premia as lutas populares francesas. Pode haver longos ou curtos períodos de derrotas. É o caso da escolha do presidente. Nicolas Sarkozy simboliza a direita política e econômica, a conhecida supremacia dos mais fortes sobre os mais fracos, a privatização dos bens públicos, a ativação do mercado de trabalho pela concorrência, quebra de garantias e terceirização. Com o risco de um desvio para a direita dura, com o reforço da autoridade policial, e uma política desumana de imigração.

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