Rio de Janeiro, 14 de Setembro de 2026

O retrato dos artistas quando muito jovens

Terça, 11 de Maio de 2004 às 06:31, por: CdB

Algumas bandas sofrem por serem comparadas e resumidas a meras reproduções de suas influências. Foi assim há 30 anos com o Aerosmith, quando Tyler e Perry eram vistos como um genérico de Jagger e Richards. O mesmo ocorreu nos anos 90 com o Stone Temple Pilots, considerado em seu álbum de estréia, Core, uma variação canhestra do Pearl Jam. Parece que do mesmo mal vai sofrer (e já sofre) o Mombojó, banda vinda do Recife e que acaba de lançar seu primeiro disco, Nada de Novo, pela revista Outra Coisa.
 
Ao ouvir as 15 faixas que compõem o disco, é inevitável uma associação com o Los Hermanos. A voz, o jeito de cantar, a mistura de rock com bossa nova e até a precocidade (os Hermanos lançaram o primeiro disco quando seus integrantes estavam na casa dos 20 e poucos anos, no Mombojó as idades oscilam entre 17 e 21 anos) aproximam as duas bandas. Apesar do grupo descartar a comparação ou qualquer rótulo que remeta ao quarteto carioca, é de fato notável a similaridade. O que não significa que estejam imitando os Hermanos ou que não sejam originais.
 
Vários fatores asseguram a originalidade do Mombojó. O uso meramente objetivo da bateria (sem grandes viradas ou uso de pratos de ataque, somente condução e contratempo); a tímida e não exagerada inserção de arranjos de flauta (sim, tem uma flauta, que nas mãos da banda errada ia ficar impregnando em redundâncias rítmicas); e a boa costura dos diferentes ritmos que o Mombojó arrisca em todo o disco asseguram a integridade de seu trabalho. Trabalho esse que foi cuidadosamente pensado e deve ser cuidadosamente assimilado.

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