Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

O Reino Desunido à deriva

Por José Inácio Werneck - A Inglaterra tinha sempre um pé fora da União Européia: não estava no Espaço de Schengen enão havia aderido ao Euro. Agora saiu de vez!

Sexta, 24 de Junho de 2016 às 15:32, por: CdB
Por José Inácio Werneck, de Bristol, EUA:
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A saída do Reino Unido da União Européia muda a história da Europa
Há uma famosa manchete que teria sido um dia publicada na imprensa inglesa, embora a história provavelmente seja apócrifa: “Nevoeiro no Canal da Mancha, o continente  está isolado”. Agora, o Reino Unido se isola da Europa, embora uma parte importante do mesmo, a Escócia, tenha votado maciçamente em favor de permanecer na União Europeia e ameace mesmo convocar um novo plebiscito para proclamar sua independência. Há coisa de semanas, vozes sensatas como a de Barack Obama se pronunciaram no sentido de que seria um erro para o Reino Unido (cujo principal integrante é a Inglaterra, mas compreende ainda a Escócia, a Irlanda do Norte e o País de Gales) se desligar da Europa. Vozes insensatas, como a de Donald Trump, estão comemorando o resultado, dizendo que “ o Reino Unido recuperou sua independência”. Mas o mundo hoje é interdependenrte e a Europa mais do que qualquer outra parte. Ao desligar-se da União Europeia (um processo, é verdade, longo, que ainda demorará dois anos), o Reino Unido se enfraquece economicamente e o primeiro sinal foi a queda no valor da libra esterlina. Os britânicos, é claro, farão pressão sobre a União Europeia para manterem alguns privilégios comerciais e financeiros, mesmo deligando-se da entidade. Em outras palavras, gostariam de estar fora no que se refere a inconveniências, como a de aceitar refugiados da África e do Oriente Médio, mas continuar dentro, no que se refere a isenções tributárias e outras vantagens financeiras. Dificilmente porém os demais países da União Europeia aceitariam o que seria uma chantagem. A campanha do “leave” (abandonar a Europa) conseguiu uma vitória por pequena margem, na base de mentiras espalhadas por uma imprensa demagógica, liderada por Rupert Murdoch, um aliado de Donald Trump. Mentiras claramente racistas, como a de uma “invasão de turcos”. Constitucionalmente, o governo britânico não está obrigado a respeitar o resultado do referendo, mas, politicamente, não tem como ignorá-lo. Para a União Europeia, um mau dia. Para o Reino Unido, péssimo. Mais do que isolado, ele agora está à deriva. José Inácio Werneckjornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.
Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
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