Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

O PT meteu os pés pelas mãos

Por José Inácio Werneck - Às vezes, uma expressão velha e surrada é a que melhor define um novo estado de coisas. Estamos às vésperas do segundo turno presidencial e as notícias se inclinam no sentido de que o PT poderá ser defenestrado, depois de doze anos no poder. Meter os pés pelas mãos significa mostrar incompetência, inépcia, imperícia e o PT, que as mostrou, só pode reclamar de si mesmo.

Domingo, 12 de Outubro de 2014 às 12:30, por: CdB
DIRETO-WERNECK1.jpg
Colunista decidiu não votar por constatar que a economia brasileira se estagnou e que o poder corrompe
Às vezes, uma expressão velha e surrada é a que melhor define um novo estado de coisas. Estamos às vésperas do segundo turno presidencial e as notícias se inclinam no sentido de que o PT poderá ser defenestrado, depois de doze anos no poder. Meter os pés pelas mãos significa mostrar incompetência, inépcia, imperícia e o PT, que as mostrou, só pode reclamar de si mesmo. Antes de me aprofundar no tema, quero lembrar que não sou eleitor nem do PT nem do PSDB. Vou exercer meu direito de, com mais de 70 anos, não votar. Mas já mesmo antes de completar 70 anos houve uma eleição em que me recusei a votar, para marcar meu ponto de vista de que o voto deve ser um direito, não uma obrigação. Enfrentei as consequências legais. Agora, parece-me que o PT se encaminha para enfrentar as consequências eleitorais de ter se desgastado no poder. No terreno das ideias, sempre me pareceu que as do PT, de inclusão econômica e social, eram as melhores. Isto significa que, se eu fosse apenas um ideólogo, votaria pela reeleição de Dilma. Mas, como sou pragmático, vejo-me obrigado a reconhecer que administração de Dilma foi ruim, quase péssima. A realidade aí está, nos números da economia. Não adianta falar em crise mundial, pois outros países da América Latina e da Ásia continuam a crescer. A economia americana, a locomotiva do mundo, voltou a crescer. A economia chinesa, a segunda locomotiva, nunca deixou de crescer. A Índia continua a crescer. O Brasil estagnou. Por que parou? Parou por que? Dirá o leitor que eu deveria então votar em Aécio, mas ele é um mau candidato. Aécio me parece um segundo Fernando Collor, um filhinho-do-papai ou netinho-do-vovô, pimpolho de família de políticos pelos dois lados, acostumado desde cedo a se considerar um privilegiado, membro da elite “destinada” a mandar no país. Entre Aécio e Dilma, como pessoas, prefiro Dilma, mas sua administração decepcionou. Nada indica que ela seja corrupta, mas o partido em que está montada caiu na velha armadilha do poder: a de que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Por três ciclos presidenciais, os quadros do PT se julgaram donos absolutos do poder e se desmandaram. O Brasil assiste, mais ou menos estarrecido, a esta queda vertiginosa. Será que o PT conseguirá escapar, à última hora, de uma derrota que a cada dia parece mais provável? E se escapar, conseguirá se reformar? Ou continuará a meter os pés pelas mãos? José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive. Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
Tags:
Edições digital e impressa