Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2026

O PT, depois das eleições internas

Por Emir Sader: O PSDB acaba de eleger seu presidente com 38 votos. Enquanto isso, cerca de 215 mil petistas voltavam às urnas, para encerrar o maior processo eleitoral que jamais um partido brasileiro havia promovido. Cabe à nova direção não permitir que se perca o pique dessa mobilização partidária. (Leia Mais)

Domingo, 16 de Outubro de 2005 às 08:34, por: CdB
Com 38 votos a favor, foi eleito no fim de semana passado o presidente do PSDB em São Paulo, sede da força hegemônica do partido que já governou o Brasil durante oito anos e alenta a esperança de repetir a dose a partir de 2007. Foi eleito um candidato único, resultado do acerto dos dirigentes tucanos pré-candidatos à presidência da república, sem debates, com conchavos de bastidores, sem nenhuma participação do que seriam os militantes tucanos, como convêm: um assunto das elites paulistas com elas mesmas.

Enquanto isso, cerca de 215 mil petistas voltavam às urnas, para encerrar o maior processo eleitoral que jamais um partido brasileiro havia promovido, ao longo de vários meses, para eleger o presidente do PT. Foram necessários centenas de debates por todos os Estados brasileiros, mais de 500 mil votos, em meio à campanha totalitária da grande mídia privada, para que o PT escolha quais dirigentes estarão à cabeça do partido nos próximos e cruciais anos para a esquerda brasileira.

Como o papel suporta qualquer coisa - e a internet faz circular, junto com todo tipo de vírus e de venda de produtos - se disse tudo ou quase tudo, tentando desmerecer as eleições internas do PT. Qualquer que fosse o resultado, tudo ia continuar igual. Quem apoiou a esquerda nas eleições vai apoiar a continuidade da direção, se isso acontecer. Todos são marionetes da velha direção. Nada mudou. A natureza petista está irreversivelmente maculada. A política está perdida, entreguemos de vez tudo na mão dos economistas - e sejamos amigos deles, para nos darmos bem. Abandonou-se o PT no meio das eleições desconhecendo que a realidade não é o que a gente quer que ela seja, mais ainda quando se tenta adaptá-la a decisões que têm calendários eleitorais e opções pré-estabelecidas.

O PT reafirma-se como o maior partido da esquerda brasileira, aquele do qual vai depender o futuro da esquerda no Brasil. Nos tempos duros que têm pela frente, o PT vai ser testado na sua capacidade de redefinir as relações da nova direção com a militância, com o governo, com os movimentos sociais, com a intelectualidade crítica. Disso depende o seu futuro e, com ele, o futuro da esquerda.

Justo na sua maior crise, o PT decidiu enfrentar as eleições marcadas. Assim faz um partido democrático. Convoca todos os seus membros para pronunciar-se, apresentando uma enorme gama de listas, promove centenas de debates por todo o país. Um partido que faz isso sai fortalecido, com mais confiança em suas forças.

E precisa muito dessas forças. Porque a direção anterior, ao longo de vários anos, praticou atos ilegais, criou um caixa 2, dilapidou o nome do PT, deixou-o totalmente vulnerável aos ataques da direita. Todos os responsáveis, diretos ou indiretos, todos os que participaram desses atos, não têm o direito de seguir sendo membros do PT. Devem ter todo o direito de defender-se na Justiça das acusações que lhes são feitas. Mas mesmo que não se comprovem juridicamente deslizes, politicamente não podem continuar a ser membros de um partido que, se não recuperar sua imagem de honestidade, de lisura, de transparência pública, estará mortalmente ferido. E para isso precisa deixar de contar nas suas filas com os responsáveis políticos pelos graves erros cometidos.

Porque esse é apenas o primeiro dos desafios para a nova direção. Uma direção que, mais além das justificadas alegações dos que abandonaram o PT antes do final do processo eleitoral, nunca mais será a mesma. A antiga direção não é mais maioria, não apenas porque matematicamente não dispõe dela. Mas também porque não conta mais com os fatores que trazem coesão no seu interior, que lhe permitiram funcionar como uma máquina durante muito anos. Há setores plenamente dispostos a trabalhar com as outras tendências, como é o caso da

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