Por Ana Helena Tavares - Hoje é o lançamento do livro da jornalista Ana Helena Tavares, memórias sobre a época do golpe e da ditadura militar, num novo momento de crise.
Por Ana Helena Tavares, do Rio de Janeiro:Hoje é o dia do lançamento do livro da jornalista Ana Helena Tavares e reproduzimos seus comentários sobre alguns dos seus 26 entrevistados, nesse livro que é de memória e de alerta na atualidade brasileira de hoje. Nota do Editor. O livro de Ana Helena Tavares terá lançamento hoje às 19h00, no Sindicato dos Jornalistas do Rio, na rua Evaristo da Veiga, 16 - 17. andarÉ Dom Pedro Casaldáliga o responsável pelo título do meu primeiro livro. "O sr. alguma vez teve medo?", perguntei ao entrevistá-lo em sua casa em 2012. "Várias! O medo é natural ao ser humano. O problema é ter medo do medo", respondeu. Dom Pedro é um dos 26 entrevistados deste livro que será lançado em 15 de março. E é isso mesmo o que ele gosta de ser: um entre muitos. A vida para o bispo do Araguaia só tem sentido se vivida em comunidade. Um ser humano apaixonante, tanto que meu segundo livro será uma biografia dele. Salve, Pedro! Em breve, irei a São Félix fazer pesquisa para a biografia e entregar a ele o livro que ele batizou.Celso Lungaretti resistiu à ditadura militar como membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Preso e torturado, submetido a julgamento e interrogatórios, foi acusado de delatar companheiros, ficando de fora da lista de guerrilheiros soltos e exilados, trocados pelo embaixador alemão (seqüestrado em 1970). Até hoje, é renegado por alguns e lembrado por ter ido à TV dizer que se arrependia da luta armada. No final de 2004, ele provou sua inocência quanto à acusação de delação, a partir da intervenção em seu favor do historiador Jacob Gorender. Conheça a visão dele dos fatos na entrevista que deu a Ana Helena Tavares, agora publicada em livro, no qual constam 26 entrevistas.
A psicóloga social Cecília Coimbra foi torturada na ditadura com métodos literalmente animalescos: um jacaré percorreu seu corpo. Lembra-se do sadismo dos torturadores, que não sentiam angústia pelo que estavam fazendo. Fundadora do Grupo Tortura Nunca Mais, ela luta há décadas para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça. Mas lamenta constatar que "a democracia mantém os mesmos dispositivos de produção de medo". Conheça os paralelos que ela faz entre o ontem e o hoje na entrevista que deu a Ana Helena Tavares, agora publicada em livro, no qual constam outras entrevistas com pessoas de diversas áreas.
Carlos Eugênio Paz (Comandante Clemente), último comandante vivo da ALN (Ação Libertadora Nacional) teve sua foto ainda jovem estampada em cartazes e jornais. Estava marcado para morrer. Mas sobreviveu e, após exílio forçado, voltou para contar história. Não se incomoda em contá-la, com seus erros e acertos. Ele acha que todos precisam saber de tudo. Por isso, constantemente ele dá palestras em escolas e toca em feridas.
O livro "O Problema é Ter Medo do Medo" traz 26 entrevistas divididas em 7 capítulos. Um deles chamado "O direito de resistência à tirania". Direito consagrado pela ciência política, desde os pensadores clássicos até John Locke, o pai do liberalismo. Direito sagrado para o catolicismo, a maior religião do mundo. Santo Agostinho, “Doutor da Igreja”, defendia tal direito de forma clara. Este capítulo é composto por cinco ex-guerrilheiros de diferentes organizações de resistência. Aluízio Palmar era do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro). Encontre na entrevista que ele deu a Ana Helena Tavares, agora publicada em livro, as memórias e as sequelas que ele traz da ditadura. Mas não espere encontrar ódio, com Aluizio Ferreira Palmar.Affonso Romano de Sant'Anna resistiu ao medo implantado pelo regime militar usando a palavra como arma. "A implosão da mentira", sobre o Caso RioCentro foi um de seus muitos poemas publicados pelo Jornal do Brasil. Conheça as memórias que o poeta, escritor e jornalista traz dos tempos da ditadura na entrevista que ele deu a Ana Helena Tavares, agora publicada em livro, no qual constam também inúmeras outras entrevistas com pessoas de diversas áreas que viveram aqueles tempos.
Quem não conhece, dificilmente diz que o homem de óculos é um bispo da Igreja Católica. Hoje, Dom Pedro Casaldáliga, o catalão mais brasileiro que há, completa 88 anos de uma vida dedicada à humanidade. Foi ele que, em plena ditadura, no fim de mundo do Araguaia, levantou-se, tal como Jesus, contra o falso moralismo dos que condenam prostitutas da carne, mas não condenam os prostitutos do vil metal. Foi ele quem versou contra todas as cercas que, nas palavras dele, "nos impedem de viver e de amar". Um dos grandes inspiradores da pessoa que me tornei nos últimos anos, ele gosta apenas de ser chamado de Pedro.
Cid Benjamin, jornalista e ex-guerrilheiro, assina o prefácio do livro O problema é ter medo do medo. Na entrevista que deu à autora, Ana Helena Tavares, sua ex-aluna, ele analisa o quanto é complicado haver uma democracia plena numa sociedade que ainda dá tratamento desigual dependendo da raça, do sexo e, claro, do poder econômico. Com o que sonhavam e pelo que lutavam aqueles que, como ele, deram sua juventude para enfrentar a ditadura? Sonhavam e lutavam por uma sociedade justa e solidária. E o que a ditadura fez? Concentrou renda e quebrou o país, agigantando a dívida externa e elevando a inflação a níveis estratosféricos. Uma herança maldita, reconhecida até por economistas conservadores.
Você já viu uma foto de um cara perseguido por dois policiais, com as mãos abertas, gritando e caindo? Foi em 68 Evandro Teixeira usando a imagem como trincheira. “Tudo começou na esquina das ruas México com Santa Luzia. Ali havia uma creche. Ali os militares tacaram uma bomba dentro da creche. Porque os estudantes se concentravam ali perto. Chegamos lá e o pau comeu”, lembra sobre aquele dia. Ele alerta que hoje o pau ainda come nas comunidades pobres. Conheça as histórias por trás das famosas fotos que Evandro tirou na ditadura na entrevista que ele deu a Ana Helena Tavares, agora publicada em livro.
Hélio Bicudo, que chegou a ser ministro da Fazenda de Jango e mais tarde arriscou a vida ao enfrentar e prender Fleury, está no meu livro O problema é ter medo do medo. Foi o 1º que entrevistei da série de 26. Foi em 2010, logo após a decisão do STF de manter a lei de anistia para "os dois lados". Não é qualquer figurão que aceita receber uma jovem desconhecida. Ele recebeu. E foi um dos entrevistados que mais se empolgou, cedendo fotos e documentos diversos da ditadura. Não sou do tipo que por causa de uma atitude com a qual não concordo condeno uma biografia inteira. Digo mais: o golpe já foi dado e não foi por Hélio Bicudo.
Um quepe branco na mão e muitos sonhos na cabeça. Esse é o hoje Capitão de Mar e Guerra Luiz Carlos Souza Moreira. Militar legalista que lutou contra o golpe de 64, sendo preso, cassado, tolhido em seus sonhos. Luiz Carlos é um dos entrevistados que compõem o meu livro a ser lançado em breve. Saiba o que ele disse na cara do Figueiredo em pleno Teatro Municipal. Saiba o que ele tem a dizer ao Brasil de hoje. Saiba que nem todo fardado é golpista e nem todo golpista usa farda. Golpistas vestem togas. Muitos aparecem todo dia na TV de ternos e saias. Fique de olho.
Imagine que estivéssemos na ditadura que alguns lunáticos pedem de volta. Notícias sobre o Zika seriam censuradas e pessoas padeceriam sem ter informações. Assim foi na ditadura militar, quando o governo Médici proibiu a veiculação de notícias sobre a epidemia de poliomielite. A censura matou crianças. Porque o governo, aliado à mídia, queria manter a imagem de um país forte, vigoroso, sem mazelas. A corrupção rolava solta. E você, cidadão de bem, não sabia! Por que será? Em longa entrevista a Ana Helena Tavares, agora publicada em livro, com outras 26, Milton Coelho da Graça, que fez jornais de resistência à ditadura e depois foi editor-chefe de O Globo, explica este e outros porquês.
Ana Helena Tavares, jornalista, conhecida por seu site de jornalismo político Quem tem medo da democracia?, com artigos publicados no Observatório da Imprensa e na extinta revista eletrônica Médio Paraíba. Foi assessora de imprensa e repórter dos Sindicatos dos Policiais Civis e dos Vigilantes. Universitária, entrevistou numerosas pessoas que resistiram à ditadura e seus relatos (alguns reproduzidos na Carta Capital e Brasil de Fato) serão publicados em livro. Foi colunista no Direto da Redação.
Direto da Redaçãoé um fórum de debates com jornalistas de opiniões diferentes, editado pelo jornalistaRui Martins.
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