O governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), advertiu neste domingo, em Fernando de Noronha, para a necessidade do governo Lula impor limites aos movimentos sociais, sob o risco de ruptura da ordem pública, o que ele considera pior do que um golpe militar.
Para o governador, a convivência próxima entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e os que governam o Brasil permitiu se chegar a atual situação.
- O MST está mais solto, mais desenvolto na questão da política da invasão. Essas pessoas que invadem são pessoas que conviveram com o PT e eu entendo como cidadão e como governador as dificuldades que tem o governo e o partido para enfrentar esse novo dado de realidade - avaliou.
O perigo, para ele, é a falta de controle e a falta de limites de movimentos sociais como o MST, com o descumprimento da Constituição, de decisões judiciais, das leis federais e estaduais.
- A quebra da ordem pública pode levar ao imponderável. Se permanece um quadro de invasões, transferindo-se inclusive para um quadro de invasões urbanas, e não se impõe a lei, nem se determina limites, pode-se ter algo muito mais grave do que um golpe - alertou.
Ele defendeu que os manifestantes que quebraram vidraças do Congresso Nacional, semana passada, durante protesto contra a reforma da Previdência, deveriam ter sido presos, algemados e processados. "Aquilo não é reivindicação social, aquilo não é movimento social, tem alguma coisa por trás, no sentido de quebrar a ordem pública", avaliou.
Segundo Jarbas, o governo pode ter "demorado um pouco observando para ver como resolve". Mas ele confia que pessoas do governo estão conversando com os movimentos sociais. Ele reafirmou que não se resolve a reforma agrária com invasão e nem "na lei ou na marra" como se tentou na década de 60, e lembrou que ninguém pode cobrar de Lula "uma reforma agrária que não foi feita em governos anteriores".
O governador deu entrevista durante as comemorações dos 500 anos da Ilha de Fernando de Noronha, iniciadas neste final de semana e que prosseguem por um ano como forma de chamar a atenção do Brasil e do mundo para o trabalho de preservação que tem sido feito no local.
O problema é a convivência próxima entre Governo e MST, diz Governador
Domingo, 10 de Agosto de 2003 às 15:54, por: CdB