Rio de Janeiro, 04 de Maio de 2026

O Pequeno Eyolf estréia em São Paulo

Sexta, 14 de Outubro de 2005 às 11:58, por: CdB

Clássico inédito no Brasil, o espetáculo O Pequeno Eyolf, do escritor norueguês Henrik Ibsen (1828/1906), estréia no dia 14 de outubro, às 21h, no Teatro SESC Anchieta. O espetáculo integra a programação do Festival Centenário Ibsen, que contará com um ciclo de leituras dramáticas de peças do dramaturgo norueguês, dirigidas por nomes como Mario Bortolotto, Paulo de Moraes, Sergio Ferrara e Zé Celso Martinez, além de palestras, recital e exposição.

O Pequeno Eyolf faz parte das comemorações dos 100 anos de independência da Noruega em 2005, além de abrir as homenagens ao centenário de morte do autor, que acontece em 2006. O projeto tem apoio da Embaixada e Consulado da Noruega, que pretende levar o espetáculo para representar a América Latina no Festival de Ibsen, que será realizado em 2006 na Noruega. No elenco, estão Tânia Pires, Fernando Alves Pinto, Carla Marins e Náshara. Participação especial João Vitti, sob a direção de Paulo de Moraes, diretor da Armazém Cia. de Teatro, que está também com estréia no SESC Belenzinho, ainda este mês.

Escrito em 1894, o texto pertence à fase simbolista de criação do autor. Primeira montagem brasileira, a peça ganha a visão contemporânea do diretor Paulo de Moraes:
- Nunca pensei em montar uma peça de Ibsen e só aceitei porque não é um dos textos realistas dele - diz Moraes.

Ele que também vê pontos em comum entre o trabalho que faz com a companhia e fora dela.

- Dou a mesma liberdade de criação aos atores - afirma o diretor.

A atriz e produtora Tânia Pires detalha o espetáculo:

- O Pequeno Eyolf fala do individualismo e do egoísmo, mostra a nossa resistência em aceitar as falhas e as mudanças. A peça revela a hipocrisia e o materialismo da sociedade - completa.

Tânia produz o espetáculo junto com Luciana Rodriguez. As duas convidaram o diretor Paulo de Moraes para empreitada.

- A nossa proposta era ter um diretor com uma visão moderna e atual para a leitura de um clássico - explica Luciana.

Na peça, o dramaturgo aborda os conflitos entre dois casais e o filho de um deles. Sentimentos como ciúme, inveja, poder e desprezo vêm à tona e delineiam as relações familiares e sociais dos personagens.

Enredo

Rita Allmers (Tânia Pires), mulher sedutora e proprietária de terras, é casada com Alfred Allmers (Fernando Alves Pinto), ex-professor e escritor que vive às suas custas. Essa relação desencadeada por uma forte atração sexual gerou um filho, Eyolf (Náshara), hoje com 9 anos e que sofre sofre de deficiência em uma das pernas. Asta Allmers (Carla Marins) é a meia-irmã de Alfred, que tem com ele uma relação de grande proximidade e dependência afetiva, o que causa o constante ciúme de Rita que sustenta os dois e tem no poder seu grande aliado. Borgheim (João Vitti), engenheiro e amigo da família alimenta uma paixão por Asta não correspondida e tem muita afeição pelo menino. A rotina familiar é abalada pela visita inesperada de uma figura mítica da cidade, a Mulher dos Ratos (João Vittti), que provoca profundas mudanças na família.

- O texto reflete sobre a inércia e a nossa possibilidade real de mudança. A Mulher dos Ratos é uma personagem mítica e tem haver com a cultura da época e com a visão da morte. Já Borgheim representa o otimismo, a valorização da vida e a superação dos obstáculos - diz o ator João Vitti.

As duas figuras simbólicas retratam e exemplificam uma das fases do escritor. Já Carla Marins destaca o lado doce e amoroso de sua personagem. "Asta vive uma relação complicada com o irmão é quase um triângulo amoroso. Ela representa o lado maternal e de forma doce interfere nos relacionamentos", revela a atriz.

O cenário, assinado por Carla Berri e Paulo de Moraes, é constituído por um píer de madeira, onde um lago de verdade foi montado especialmente para o espetáculo. Maneco Quinderé, responsável pela iluminação cênica, embarca profundamente na concepção primoros

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