Por José Inácio Weneck - A performance de Hillary Clinton no primeiro debate, na televisão, dos candidatos às primárias democráticas para a eleição presidencial do próximo ano, deixou uma imagem indelével: ela é papo-furado, escorregadia, não merece confiança.
Por José Inácio Werneck, de Bristol, EUA: Colunista viu o primeiro debate pela televisão americana entre os democratas e não gostou da performance de Hillary Clinton
A gíria pode ser antiga, mas vou usá-la, primeiro porque descreve bem o que se passou e segundo porque, como moro nos Estados Unidos, não me considero muito atualizado com a gíria que se usa no momento no Brasil.
Mas a performance de Hillary Clinton no primeiro debate, na televisão, dos candidatos às primárias democráticas para a eleição presidencial do próximo ano, deixou uma imagem indelével: ela é papo-furado, escorregadia, não merece confiança.
Incrivelmente, os jornais americanos de hoje, quarta-feira, em sua grande maioria descrevem sua atuação como “sólida” e a apontam como grande favorita para ser a escolha do partido.
Os jornais dizem que sua atuação foi tão boa que o Vice-Presidente Joe Biden desistirá de lançar sua candidatura e que o índice de popularidade do senador Bernie Sanders vai descer nos próximos dias.
Se isto acontecer, é porque o eleitor americano gosta de ser enganado.
Ao longo de debate, Hillary Clinton tergiversou e procurou justificar suas constantes mudanças de opinião ao sabor das conveniências políticas do momento.
No caso do acordo comercial Trans-Pacífico, ela disse que no início acreditava que ele poderia ser o “padrão ouro” de acordos comerciais, mas que o acordo, como afinal consagrado, “não é o padrão-ouro”.
Pura mentira. Ela não disse que “esperava que ele pudesse ser”. Ela disse claramente, no passado, que ele “era o padrão-ouro”.
Mudou de posição porque as pesquisas de opinião indicavam que a maioria do povo não gostou do acordo.
Como mudou de posição ao se definir como “progressista” para um grupo de progressistas e “moderada”, para um grupo de moderados.
Bernie Sanders foi alvo de duro interrogatório por parte do apresentador do programa, Anderson Cooper, mas, inicialmente tímido, cresceu durante o debate e manteve sua firme oposição à crescente desigualdade econômica e social nos Estados Unidos.
Mas, para os jornais, ganhou Hillary, a “papo-furado”.
José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive.Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.
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