Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

O ódio divino impede a paz

Por José Inácio Werneck - Estou lendo um livro do historiador inglês Robert Hutchinson sobre a Armada Espanhola que tentou invadir a Grã-Bretanha ao tempo de Elizabeth I, a assim chamada Rainha Virgem, e dele o que salta aos olhos é a crueldade humana inspirada por ódio divino. O assunto é bem mais atual do que parece, pois pode ser encontrado hoje, por exemplo, no conflito entre palestinos e judeus pela Terra Prometida.

Quinta, 21 de Agosto de 2014 às 12:00, por: CdB
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As religiões monoteistas são intolerantes estão nas raízes de muitas guerras
 Estou lendo um livro do historiador inglês Robert Hutchinson sobre a Armada Espanhola que tentou invadir a Grã-Bretanha ao tempo de Elizabeth I, a assim chamada Rainha Virgem, e dele o que salta aos olhos é a crueldade humana inspirada por ódio divino. O assunto é bem mais atual do que parece, pois pode ser encontrado hoje, por exemplo, no conflito entre palestinos e judeus pela Terra Prometida. Nem todas as guerras da humanidade tem sido desfechadas por crenças religiosas, mas um grande número delas o foi. Espantosamente, as três grandes religiões monoteístas - o cristianismo, o judaísmo e o islamismo - pregam o amor ao próximo, mais popularmente definido pela palavra “caridade” - e ao mesmo tempo são capazes de paroxismos de crueldade. Em algumas situações, como ao tempo de Elizabeth I, as divergências são entre facções da mesma religião. No caso, entre protestantes e católicos. Elizabeth I, filha de Henrique VIII com Ann Boleyn, era protestante, e havia sucedido a Mary I, conhecida como Bloody Mary, herdeira de Henrique VIII com a espanhola Catarina de Aragão - católica, como sua filha. Igualmente católica era Mary, Queen of Scots, prima de Elizabeth I, a quem aparentemente procurou depor e suceder, crime pelo qual pagou com a decapitação. Mas ao longo desta história o que temos são páginas de horrores, não apenas com execuções puras e simples, mas execuções antecedidas por torturas, uma das quais era a da “roda”. Segundo relatos históricos, o padre jesuíta Alexander Briant foi assim estirado até ficar “30 centímetros mais longo do que Deus o fizera”. Outros, inúmeros, eram arrastados por cavalos, pendurados numa forca durante um breve período de tempo e depois, semi-conscientes, estripados, emasculados e esquartejados. Todos, protestantres e católicos, professavam a mesma crença em Jesus Cristo. O conflito, como é notório, subsistiu até muito recentemente na guerra entre protestantes e católicos na Irlanda do Norte e ainda tem desdobramentos até hoje. Na França, pela mesma época de Elizabeth I, houve o famoso massacre de São Bartolomeu, em 24 de Agosto de 1572, quando três mil protestantes foram mortos em Paris num conflito que se estendeu até outubro daquele ano e que registrou um total de 70 mil mortos em Toulouse, Bordeaux, Lyon, Rouen e Orléans, Havia um tal número de cadáveres flutuando no rio Rhône que sua água não pôde ser bebida durante três meses. No Oriente Médio os conflitos são bíblicos e temos o relato de Sansão, que pode ser considerado o primeiro “suicide bomber” da história, com a dferença de que a pólvora ainda não tinha sido inventada. Mas ele jogou o templo sobre si e sobre seus inimigos, os filisteus, matando mais de dois mil. Os filisteus, denominação grega, são os palestinos, denominação romana. É praticamente impossível resolver um conflito em que dois povos julgam que um território lhes foi dado, a um por Jeová, e a outro por Alá. Se olharmos a história, veremos que o tempo em que judeus e árabes tiveram, em períodos interrompidos ou ininterruptamente, a posse das mesmas terras, mais ou menos se equivale. A única solução possível é a criacão de dois estados, para dois povos, com fronteiras definidas e seguras, com garantia da ONU. Ou garantia dos Estados Unidos - o que, em última análise, é o que realmente importa. Mas o ódio divino, embora judeus e muçulmanos dividam em Abraão (Ibrahim,) um patriarca comum, não deixa. José Inácio Werneck, jornalista e escritor, trabalhou no Jornal do Brasil e na BBC, em Londres. Colaborou com jornais brasileiros e estrangeiros. Cobriu Jogos Olímpicos e Copas do Mundo no exterior. Foi locutor, comentarista, colunista e supervisor da ESPN Internacional e ESPN do Brasil. Colabora com a Gazeta Esportiva. Escreveu Com Esperança no Coração sobre emigrantes brasileiros nos EUA e Sabor de Mar. É intérprete judicial em Bristol, no Connecticut, EUA, onde vive. Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins.
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