Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2026

O novo PIB e a velha política econômica

Por Paulo Kliass - Apesar dos avanços importantes propiciados pelo nova metodologia de cálculo do IBGE, não se deve cair no canto de sereia daqueles que pretendem justificar o conservadorismo da política econômica. O nosso crescimento anual continuou bem próximo do Haiti. (Leia Mais)

Quarta, 18 de Abril de 2007 às 13:36, por: CdB

Como acontece com toda novidade anunciada na esfera da política e da economia, as reações foram bastante diferenciadas quando da recente divulgação oficial dos novos valores do Produto Interno Bruto brasileiro. Por um lado, os defensores da ortodoxia monetarista implementada ao longo dos últimos anos, a proclamarem aos quatro ventos que eles estavam com a razão na implementação da receita desindustrializante, pois afinal o país teria crescido um pouco mais do que os famélicos 2% da média anual durante o primeiro mandato de Lula. De outro lado, igualmente irresponsável, as denúncias da turma do "quanto-pior-melhor" da direita oposicionista de que tudo não passaria de propaganda enganosa do governo. Ou seja, uma reação típica de quem ainda não engoliu a reeleição do Presidente em outubro passado, quando sonhavam com um retorno tranqüilo ao poder, e menos ainda as elevadas taxas de aprovação de seu início de segundo mandato.

No entanto, o problema é de natureza diversa. O IBGE já vinha trabalhando há alguns anos com a mudança de metodologia para a apuração das chamadas Contas Nacionais. Não há nada de errado nisso; aliás, muito pelo contrário. O nosso órgão oficial, vinculado ao Ministério do Planejamento, apresenta uma longa tradição de competência e capacidade técnicas, fato amplamente reconhecido pelas demais instituições similares espalhadas pelo mundo afora. Apesar da escandalosa redução salarial de suas carreiras, ele ainda consegue manter milagrosamente um quadro de excelência profissional. E como uma das missões do IBGE é oferecer "instantâneos" ou "panorâmicas" de nossa realidade social e econômica, ele deve estar preparado para promover mudanças de rota em sua metodologia, uma vez que a própria realidade é bastante dinâmica e se altera a cada instante. Um dos exemplos mais evidentes é o próprio recenseamento populacional (o popular Censo, feita a cada 10 anos). Ele pretende contatar cada um dos indivíduos da população brasileira, contabilizados por meio das visitas diretas dos pesquisadores às residências. Porém, em razão da tecnologia atualmente existente, no momento em que o resultado do levantamento consolidado é divulgado a população "real" já outra: alguns indivíduos faleceram, outros nasceram. Daí a utilização de estimativas, como mostra o próprio relógio populacional na página ibge.gov.br (que merece, inclusive, uma visita).

Por outro lado, existem dificuldades operacionais para se manter informações atualizadas, relativas a aspectos mais qualitativos do questionário do Censo. Assim, são feitas pesquisas anuais ou bienais, com base em critérios estatísticas bastante definidos, a exemplo da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD) ou a Pesquisa do Orçamento Familiar (POF). Por meio de tais instrumentos do IBGE, pode-se avaliar com maior nível de detalhe o que ocorre com a renda familiar, a estrutura de consumo, o acesso a bens e serviços, entre outros.
No caso da apuração das Contas Nacionais, existem igualmente dificuldades de ordem metodológica a serem permanentemente superadas. O primeiro deles diz respeito, sem sombra de dúvida, à divulgação de forma mais pedagógica do sentido das informações. É óbvio que isso depende, em grande parte, da elevação do nível educacional e de acesso ao conhecimento da maioria da população. Mas, mesmo para a parcela mais instruída, ainda permanece muita confusão. Por exemplo, a maioria dos órgãos de divulgação define o PIB como sendo a soma das riquezas de um país, certo? Não, infelizmente não é tão simples assim. E já aqui, de início, aparece o primeiro equívoco.

O Produto faz parte daquele universo que o "economês" qualifica como variável-fluxo, em oposição à variável-estoque. Assim, ele reflete o conjunto daquilo que foi produzido ou transformado, com o objetivo de ser consumido ou comercializado, em um determinado período de tempo. No nosso caso, o ano civil janeiro-dezembro. Ele tem uma contrapartida que é Renda, ou seja, o conjunto dos v

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