Rio de Janeiro, 20 de Janeiro de 2026

O nosso Brasil e o tal do

Por Paulo Kliass - É fundamental que não se criem ilusões a partir da nova etiqueta. Investment grade significa pouco em termos de um projeto de desenvolvimento econômico voltado à maioria e portador de uma sociedade menos desigual. (Leia Mais)

Terça, 24 de Abril de 2007 às 10:13, por: CdB

Aqueles que costumam acompanhar as notícias e as colunas especializadas em matéria econômica e financeira devem ter percebido que, ao longo das últimas semanas, tem evoluído bastante o número de referências à possibilidade do Brasil finalmente ser classificado como "investment grade" pelas agências internacionais de avaliação de alternativas de investimento.

Mas, afinal, o que significa tudo isso? Ou então, quais seriam as conseqüências de tal fato para o desempenho da economia brasileira? E, principalmente, quais as implicações dessa eventual mudança para uma recuperação das décadas perdidas em termos de desenvolvimento do País?

Em primeiro lugar, vamos à definição. Em português, a expressão poderia ser traduzida para "grau de investimento". Ou seja, trata-se de um dos níveis de uma escala classificatória que as empresas de consultoria econômica utilizam para "catalogar" a multiplicidade de alternativas existentes no espaço de investimento planetário. Esses indicadores procuram oferecer um quadro sintético da possibilidade em foco. No limite, apresenta-se para o cliente uma combinação de: i) grau de risco do investimento; e ii) retorno esperado daquele investimento.

Em termos gerais, no quadro de sofisticação contemporânea dos mecanismos de aplicação de recursos financeiros, cada vez mais são possíveis de se verificar, na prática, os preceitos teóricos a respeito do comportamento do capital. Dentre eles, a conhecida relação entre grau de risco da operação e a taxa de retorno esperada da mesma. Ou então, a relação entre o prazo de aplicação e o grau de rentabilidade da mesma. Assim, em um dos limites do espectro de alternativas estaria o investimento mais "seguro e estável" em títulos emitidos pelo Tesouro norte-americano, que rendem pouco mais de 2% ao ano, enquanto no outro extremo estariam opções como empresas de diamante operando na África austral, empresas que comercializam armas em regiões de conflito bélico ou empresas do setor de narcotráfico na América Latina ou na Ásia. Como o grau de risco envolvendo as últimas três opções é elevadíssimo, principalmente quando as operações ultrapassam os limites da ilegalidade, o retorno oferecido pelos recursos investidos também é muito alto.

Por outro lado, além de identificar e analisar a operação em si, as empresas de consultoria oferecem uma visão mais ampla do contexto do investimento. Ou seja, um recorte que pode ser setorial (em que tipo de área ou atividade econômica encontra-se tal opção) ou regional (em que área do mundo se encontra, chegando ao detalhe do país). Além disso, considera-se também a natureza do investimento: por exemplo, se se trata de instituições públicas (tesouros nacionais, empresas estatais, etc) ou de investimentos privados.

Apesar deste longo gradiente de classificações que separa o "risco máximo" do "risco mínimo", há uma área a partir da qual já se recomenda, sem muita preocupação, investimentos para seus clientes que sejam um pouco avessos a riscos considerados mais altos. Quando se ultrapassa essa linha fronteiriça, ufa!, então os potenciais investidores passam a encarar a alternativa com bons olhos. E a essa área, justamente, o jargão do financês internacional dá o nome de "investment grade".

É importante lembrar que, não obstante o Brasil como país e como espaço econômico ainda não ter atingido esse nível, algumas grandes empresas brasileiras (parte delas, hoje, nem tão "brasileiras" assim...) já obtiveram tal certificação pelas empresas de consultoria. Ou seja, apesar de operarem em um universo que os analistas consideram ainda não-apropriado aos padrões dos centros financeiros internacionais, empresas como a Petrobrás, a Vale do Rio Doce e a Embraer são consideradas como "investment grade". O interessante a observar é que, apesar da privatização recente das últimas, todas têm sua origem como empresa estatal e conseguiram construir sua imagem, seu reconhecimento internacional e sua capacidade tecnoló

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