Rio de Janeiro, 22 de Fevereiro de 2026

O mundo selfie

Por Maria Lúcia Dahl - Como poderia imaginar que o futuro do mundo seria selfie, substituindo os amigos e as paixões verdadeiras e concretas pelos abstratos whatsapps, face-books, twitters, tablets, instagrans e os papos e gargalhadas por um grupo de pessoas aleatórias trocando conversas, beijos e abraços por mensagens de um celular inexpressivo e sem humor ?

Quinta, 09 de Julho de 2015 às 15:17, por: CdB
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Colunista lembra que, quando hippie, tudo era no real, como os beijos, agora é tudo virtual
Como poderia imaginar que o futuro do mundo seria selfie, substituindo os amigos e as paixões verdadeiras e concretas pelos abstratos whatsapps, face-books, twitters, tablets, instagrans e os papos e gargalhadas por um grupo de pessoas aleatórias trocando conversas, beijos e abraços por mensagens de um celular inexpressivo e sem humor ? Lembro da época hippie quando saíamos em grupos coloridos passando pelos cenários mais lindos do Rio de Janeiro, pra ver a lua e as estrelas refletidas nas águas douradas do Arpoador cantando e tocando “No woman, no cries” numa tradução inesquecível do Gil, depois de termos todos nos unido à tarde, compartilhando ideias e ideologias em favor do próximo. Hoje, o próximo transformou-se naquela pessoa esperando na fila que alguém grite pra ela por detrás do balcão: “o próximo! O “outro” serve pra divertir a população sendo esfaqueado, roubado ou servindo de “laranja” para falsificar documentos políticos. E a ideologia é sair dessa cidade maravilhosa, virar milionário e comprar, sozinho, um apartamento em Dubai com tudo de novo que a tecnologia oferece.. Voltei a um restaurante que costumava frequentar com os amigos de antigamente onde trocávamos ideias e beijos amorosos ao vivo e em cores, substituidos agora por mensagens que , no maximo, podem causar um ligeiro sorriso silencioso. Nem pensar mais em conversas com os meus netos ocupados com recados progressivos que desvendam 24 horas por dia, sem tempo pra namorada ou pra qualquer conversa pessoal, seja ela de qualquer espécie, muito menos com a avó. Houve um tempo em que o homem foi à Lua procurar outros seres, quando “os alquimistas estavam chegando” e os terraquios pensando até em fazer de Marte, a próxima estação, o que foi rápidamente descartado pela absoluta solidão do universo. Agora optou-se pela filosofia selfie aqui na Terra, que embora cada vez mais povoada, contraria o sonho juvenil de antigamente de se unirem todos visando o mesmo objetivo de paz e amor mundial. Depois dessa longa e variada viagem da minha vida que tanto me enriqueceu por grupos diferenciados, por maneiras de pensar e agir, contornada pela beleza extraordinária do Rio de Janeiro, será que vou acabar sozinha na Terra, esperando os alquimistas chegarem com um celular sem crédito na mão? Maria Lúcia Dahl , atriz, escritora e roteirista. Participou de mais de 50 filmes entre os quais – Macunaima, Menino de Engenho, Gente Fina é outra Coisa – 29 peças teatrais destacando-se- Se Correr o Bicho pega se ficar o bicho come – Trair e coçar é só começar- O Avarento. Na televisão trabalhou na Rede Globo em cerca de 29 novelas entre as quais – Dancing Days – Anos Dourados – Gabriela e recentemente em – Aquele Beijo. Como cronista escreveu durante 26 anos no Jornal do Brasil e algum tempo no Estado de São Paulo. Escreveu 5 livros sendo 2 de crônicas – O Quebra Cabeça e a Bailarina Agradece-, um romance, Alem da arrebentação, a biografia de Antonio Bivar e a sua autobiografia,- Quem não ouve o seu papai um dia balança e cai. Como redatora escreveu para o Chico Anisio Show.Como roteirista fez recentemente o filme – Vendo ou Alugo – vencedor de mais de 20 premios em festivais no Brasil. Direto da Redação,  editado pelo jornalista Rui Martins
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