Rio de Janeiro, 05 de Maio de 2026

O mundo pelo avesso

Terça, 11 de Outubro de 2005 às 10:01, por: CdB

 O PT, depois das eleições internas

O PSDB acaba de eleger seu presidente com 38 votos. Enquanto isso, cerca de 215 mil petistas voltavam às urnas, para encerrar o maior processo eleitoral que jamais um partido brasileiro havia promovido. Cabe à nova direção não permitir que se perca o pique dessa mobilização partidária.

Com 38 votos a favor, foi eleito no fim de semana passado o presidente do PSDB em São Paulo, sede da força hegemônica do partido que já governou o Brasil durante oito anos e alenta a esperança de repetir a dose a partir de 2007. Foi eleito um candidato único, resultado do acerto dos dirigentes tucanos pré-candidatos à presidência da república, sem debates, com conchavos de bastidores, sem nenhuma participação do que seriam os militantes tucanos, como convêm: um assunto das elites paulistas com elas mesmas.

Enquanto isso, cerca de 215 mil petistas voltavam às urnas, para encerrar o maior processo eleitoral que jamais um partido brasileiro havia promovido, ao longo de vários meses, para eleger o presidente do PT. Foram necessários centenas de debates por todos os Estados brasileiros, mais de 500 mil votos, em meio à campanha totalitária da grande mídia privada, para que o PT escolha quais dirigentes estarão à cabeça do partido nos próximos e cruciais anos para a esquerda brasileira.

Como o papel suporta qualquer coisa - e a internet faz circular, junto com todo tipo de vírus e de venda de produtos - se disse tudo ou quase tudo, tentando desmerecer as eleições internas do PT. Qualquer que fosse o resultado, tudo ia continuar igual. Quem apoiou a esquerda nas eleições vai apoiar a continuidade da direção, se isso acontecer. Todos são marionetes da velha direção.

Nada mudou. A natureza petista está irreversivelmente maculada. A política está perdida, entreguemos de vez tudo na mão dos economistas - e sejamos amigos deles, para nos darmos bem. Abandonou-se o PT no meio das eleições desconhecendo que a realidade não é o que a gente quer que ela seja, mais ainda quando se tenta adaptá-la a decisões que têm calendários eleitorais e opções pré-estabelecidas.

O PT reafirma-se como o maior partido da esquerda brasileira, aquele do qual vai depender o futuro da esquerda no Brasil. Nos tempos duros que têm pela frente, o PT vai ser testado na sua capacidade de redefinir as relações da nova direção com a militância, com o governo, com os movimentos sociais, com a intelectualidade crítica. Disso depende o seu futuro e, com ele, o futuro da esquerda.

Justo na sua maior crise, o PT decidiu enfrentar as eleições marcadas. Assim faz um partido democrático. Convoca todos os seus membros para pronunciar-se, apresentando uma enorme gama de listas, promove centenas de debates por todo o país. Um partido que faz isso sai fortalecido, com mais confiança em suas forças.

E precisa muito dessas forças. Porque a direção anterior, ao longo de vários anos, praticou atos ilegais, criou um caixa 2, dilapidou o nome do PT, deixou-o totalmente vulnerável aos ataques da direita.

Todos os responsáveis, diretos ou indiretos, todos os que participaram desses atos, não têm o direito de seguir sendo membros do PT. Devem ter todo o direito de defender-se na Justiça das acusações que lhes são feitas.

Mas mesmo que não se comprovem juridicamente deslizes, politicamente não podem continuar a ser membros de um partido que, se não recuperar sua imagem de honestidade, de lisura, de transparência pública, estará mortalmente ferido. E para isso precisa deixar de contar nas suas filas com os responsáveis políticos pelos graves erros cometidos.

Porque esse é apenas o primeiro dos desafios para a nova direção. Uma direção que, mais além das justificadas alegações dos que abandonaram o PT antes do final do processo eleitoral, nunca mais será a mesma.

A antiga direção não é mais maioria, não apenas porque matematicamente não dispõe dela. Mas também porque não cont

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