Por Ana Requena 22/05/2011 às 22:48
Desde o dia 15 de maio, a praça central de Madrid é o cenário de um movimento espontâneo que reúne dezenas de milhares de pessoas. Um grupo de acampados se organiza no espaço público para revindicar uma "Democracia Real"
Em menos de uma semana, o que começou como um pequeno grupo de barracas tornou-se um vasto acampamento que a cada dia vai ganhando forma e terreno. É o centro nervoso do movimento 15-M, um espaço onde os debates e as propostas são permanentes, um local de resistência pacífica, que funciona como um símbolo para dezenas de cidades espanholas e capitais europeias, como Londres, Bruxelas, Paris ou Roma. Ontem já tinha reflexo do outro lado do Atlântico, no México, Equador e Costa Rica.
A praça inteira está já coberta com as bandeiras de todas as cores e tamanhos. Qualquer pedaço de papel ou papelão serve como suporte improvisado para qualquer um escrever a sua proposta, seu lema, seu pensamento. "Madri será o túmulo do neoliberalismo. Não passarão!" Uma grande faixa pendurada em um dos lados da Puerta del Sol atualiza o velho lema republicano. Desta vez, os mercados e as grandes potências econômicas são o inimigo a quem se deve impedir a passagem.
A vitalidade dos acampados não baixou um milímetro para atender às decisões da Junta Central Eleitoral, ou órgão da Justiça Eleitoral de Madrid. Todos assumem que o movimento continua e que o seu pacifismo é o motor que os impulsiona. Porta-vozes do acampamento esclarecem que nunca houve um convite à manifestação de hoje, um dia de reflexão antes da eleição. O que confirma é que "continuarão a exercer a reflexão coletiva" entre todas as pessoas que vêm espontaneamente. Também continuará o dia-a-dia do acampamento.
"Não será solicitado em nenhum momento o voto a nenhum partido político, muito menos se procurará influenciar a decisão individual de cada pessoa, ou interferir no direito dos cidadãos a exercer o seu voto, não prejudicando a campanha eleitoral ", explicou em um comunicado.
Do outro lado da praça, circulavam ontem panfletos para que a violência não apareça em nenhum momento. Frente a um possível enfrentamento policial, recomenda-se a resistência passiva e, em qualquer caso, não devolver os golpes. Mas também pedia para não falar com gestos ostensivos, respeitar as opiniões dos outros e não beber álcool para manter-se "100%".
"Grito silencioso" à meia-noite
Além disso, como um exercício de protesto contra as decisões da eleição, ontem à noite se convidou os acampados para representar um "Silent Scream" cinco minutos antes da meia-noite. Como nos dias anteriores, milhares de pessoas lotaram a Puerta del Sol e arredores. Muitos colocaram fitas adesivas sobre a boca, até pouco depois da meia-noite, quando rasgaram as fitas e lançaram um grito para o céu. "A voz do povo não é ilegal, foi mais do que nunca, o slogan mais aclamado.
Durante todo o dia, o acampamento, que se foi consolidando com o passar das horas, era um enxame de pessoas que crescia como o passar das horas. Conta, por exemplo, com outra zona de alimentação, que estabelece os horários de cada refeição, com painéis solares e um serviço de creche para que os pais que freqüentam com seus filhos possam ser liberados por um tempo. Los voluntarios se cuentan por centenares . Não é apenas isso. Alguns vieram para o acampamento para oferecer seus carros e vans, táxistas também se puseram à disposição para fazer corridas grátis. São centenas de volutários.
"Meninos, vocês já assinaram?" Pergunta Marcela Molina, aposentada de 73 anos, para algumas crianças. Desde quinta-feira, Marcela ajuda coletando assinaturas de apoio ao acampamento. Se dizíamos que as pessoas estavam quietas e não faziam nada e agora elas dnao esse passo, devemos apoiá-los, minha luta é deles, eu nasci guerreira, já fugi de muito militar", lembra-se. Marcela continuará vindo do seu bairro até Sol todos os dias. Muito próximo a ela se celebra a assembléia da manhã. O número de pessoas está aumentando a cada dia, tanto que está ficando difícil sentar-se ou ouvir alguma coisa, apesar da ajuda de um megafone. Do outro lado do acampamento, os voluntários dão marteladas em tábuas e paletes. "Estamos fazendo um pequeno armazém para que as pessoas da organização deixem as mochilas", explicam eles. Na oficina de artes gráficas se prepara a sinalização para identificar cada serviço. "Fazemos também cartazes animados para espaldar por aí, o acampamento está cheio deles!", explica Cristina, responsável pela oficina. ?Você é um Sol", escrevem em uma cartulina. Em outras recomendam descanso às pessoas: "Descanse e se organizar, seu cansaço irá beneficiá-los."
Na hora do almoço, uma fila bem organizada atravessa o acampamento. A cozinha já possui uma churrasqueira a gás, que já preparou uma grande ?fabada?. Há também macarrão, salada de grão de bico, pizzas, sanduíches ... "Fique para o almoço", pedem aos curiosos que vêm. Alguns voluntários vigiam o abuso de porções. Mal há lugar para armazenar todas as doações de alimentos.
A importância do 23-M
"A data crucial é o 23-M, e não o 22-M" (M refer-se a mês de Maio), disse Pablo Gomez, 33, líder da primeira noite no acampamento.. O dia após a eleição será fundamental para a compreensão da direção do movimento. Alguns já estão preparando novas infra-estruturas e pequenos jardins ou fogões solares. Pablo ainda tem dificuldade em assimilar o que aconteceu em menos de uma semana. "Eu não estou ciente da magnitude que é quase assustadora e eu tento não pensar muito, imagino que só entenderei depois", diz ele.
Como representante do acampamento, Pablo participou de um chat com vídeo em um grande grupo de mídia. Receberam mais de 8.000 perguntas, um recorde, tanto que o servidor não suportou e colapsou. Este biólogo en paro sólo ha pasado una vez por casa desde que el domingo acudió a la manifestación que lo desencadenó todo. Este biólogo desempregado só passou uma vez por sua casa desde que no domigo participou da manifestação que desencadeou tudo. "Ninguém sabe o que vai acontecer, tudo é maravilhoso, mas acho que isso vai continuar enchendo e as pessoas não vão ligar para as proibições", diz Paulo, que discorda das decisões das Juntas Eleitorais.
A colagem de slogans e propostas inundou o acampamento, estão por toda parte. "A mudança começa em si mesmo", diz uma faixa. Em outra se desenha uma frase da anarquista e feminista Emma Goldman: "Se eu não puder dançar, esta não é minha revolução". É quando uma garota grita para a multidão: "Bom dia, Sol, isso é maravilhoso."
LINK: Grito Silencioso (vídeo): http://vimeo.com/24048483
LINK: Democracia Real Ya!: http://democraciarealya.es
LINK: Texto em espanhol: http://www.publico.es/espana/377540/el-15-m-se-hace-fuerte-elecciones2011