Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

O Mercado Livre não é a Causa da Riqueza, é, ao contrário, o Efeito da Pobreza.

Segunda, 13 de Junho de 2011 às 10:35, por: CdB

Por Clênia Santos 13/06/2011 às 16:20

O mercado livre é o efeito da pobreza, não a causa da riqueza. Mas será que ele é a solução, ou, ou contrário, é um problema a mais para os pobres?

Os freqüentadores do CMI que são contrários à transformação da realidade, pois, -izem eles- a transformação sempre piora a situação, alegam que o fundamento da prosperidade social é o mercado livre. À exceção de Cuba e da Coréia do Norte, o mercado tem liberdade de ação em todo o mundo. Apesar dessa liberdade do mercado, o mundo está cada vez mais haitianizado e favelizado, isto é, o mundo está cada vez mais miserável.

Encostado contra a parede, o Pedro Mundim teve que admitir que três quartos da população do globo vivem na miséria apesar da liberdade do mercado. Então ele mudou o discurso e passou a afirmar que o mercado livre não é a causa da riqueza, é, ao contrário, o efeito da pobreza.

"Mas para não dizer que o exemplo foi de todo mal escolhido, é digno de nota que favelas são um dos locais onde há mais liberdade de mercado, haja vista que a economia lá é quase toda informal. O que vem a demonstrar que o livre mercado é uma reação natural contra a situação de pobreza e exclusão social, praticamente uma condição de sobrevivência. Isso é admirável." Pedro Mundim, De novo o truque de citar casos difuncionais...

 http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/06/492478.shtml

O mercado livre é o efeito da pobreza, não a causa da riqueza. Mas será que ele é a solução, ou, ou contrário, é um problema a mais para os pobres?

Num "Discurso no Aniversário de 'The People's Paper'", em 1856, Marx disse:

"Nos nossos dias, tudo parece prenhe do seu contrário. Observamos que maquinaria dotada do maravilhoso poder de encurtar e de fazer frutificar o trabalho humano o leva à fome e a um excesso de trabalho. As novas fontes de riqueza transformam-se, por estranho e misterioso encantamento, em fontes de carência. Os triunfos da arte parecem ser comprados à custa da perda do caráter. Ao mesmo ritmo que a humanidade domina a natureza, o homem parece tornar-se escravo de outros homens ou da sua própria infâmia. Mesmo a luz pura da ciência parece incapaz de brilhar a não ser sobre o fundo escuro da ignorância. Todo o nosso engenho e progresso parecem resultar na dotação das forças materiais com vida intelectual e na redução embrutecedora da vida humana a uma força material. Este antagonismo entre a indústria e a ciência modernas, por um lado, e a miséria e a dissolução modernas, por outro; este antagonismo entre os poderes produtivos e as relações sociais da nossa época é um fato palpável, esmagador, e que não é para ser controvertido."

Sabemos que a produção para o mercado prioriza a obtenção de lucro (e de lucros máximos), e não a satisfação das necessidades sociais. Para o Pedro Mundim, a única forma de acabar com a pobreza é através do aumento da produção. Mas a realidade mostra que os capitalistas aumentam a produção introduzindo máquinas e equipamentos cada vez mais modernos na produção, em detrimento do número de trabalhadores. Assim, a exclusão social (desemprego tecnológico ) aumenta na proporção do aumento da produção capitalista. Quando um capitalista compra uma nova máquina e um novo equipamento, fazendo com que seus empregados produzam mais riqueza na mesma unidade de tempo, ele não reduz a jornada de trabalho desses empregados nem aumenta seus salários. Com a introdução de máquinas e equipamentos mais modernos no processo de produção, o capitalista apenas reduz seus custos de produção, expulsando seus concorrentes do mercado, fechando postos de trabalho e aumentando o desemprego, já que o capitalista que não pode investir em novas máquinas e novos equipamentos não pode vender tão barato quanto o que faz tais investimentos. Assim, a produção aumenta mas a miséria social não diminui, ao contrário, ela aumenta ainda mais.

O aumento da produção só contribuiria para tirar bilhões de pessoas da pobreza se o capitalista investisse mais capital na contratação de mão-de-obra do que na compra de tecnologia, ou se a compra dessa tecnologia redundasse na redução da jornada de trabalho dos operários e/ou no aumento dos seus salários. Em não sendo assim, o mercado livre não é a solução para a pobreza, é, ao contrário, um problema ainda maior, porque toda a produção é praticamente canalizada para aumentar a produção em detrimento do consumo dos que trabalham. Assim, a riqueza vai cada vez mais aumentando à medida em que as pessoas vão empobrecendo cada vez mais, até que tudo isso redunda na superprodução e na crise.

A solução para acabar com a miséria e a ignorância, para fazer não só com que as pessoas trabalhem menos e consumam mais, mas também para acabar com o desemprego, é socializando os meios de produção. O Mundim é contra essa socialização, dizendo que a geladeira não vai gelar mais se for pintada de verde. O Mundim tem razão. Mas não se quer maior produção, até porque o problema do capitalismo não é a escassez, é, ao contrário, a super-produção. A Humanidade não necessita aumentar a produção, necessita melhorar a distribuição. Mas a como a distribuição é determinada pelas relações de produção, nunca teremos melhor distribuição se a produção for socializada mas sua apropriação for individualizada pelos capitalistas. Assim, se a geladeira for pintada de verde ela não gelará mais, mas se não for pintada de verde, ela gelará menos.

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