Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

O mais grave do momento é crescer menos que a inflação

Sexta, 16 de Setembro de 2011 às 04:59, por: CdB

Respeitável o ponto de vista do coordenador de Análises Econômicas da FGV-SP, professor Salomão Quadros, segundo o qual o  risco de a inflação ultrapassar o teto da meta de 6,5% em 2011, é "relevante". Quadros justifica que fundamenta sua avaliação no fato de que a inflação em 12 meses no varejo, medida pela família dos IGPs, ainda está acima de 7%.

O IPC-10 acumula alta de 7,12% contado nos últimos 12 meses até setembro. E o IPCA, calculado pelo IBGE e usado como referência para a meta de inflação, acumula alta de 7,23% no período. Daí a conclusão do professor: "Não é impossível, matematicamente (que a inflação em 12 meses retroceda a 6,5%). Mas é muito difícil. Creio que é uma hipótese cada vez mais forte que fique acima da meta."

Permito-me ponderar ao professor Quadros, a respeito dessa inflação de 6,5%, ou mais meio ponto que o grave não é ela chegar no limite da meta mais a banda de 2%, ou ultrapassá-lo. Grave é o nosso crescimento ser menor que a inflação - quase a metade se ela chegar a 7% e o crescimento ficar em 3,5%.

O que émais grave nessa história


Inegável que essa queda do crescimento foi consequência do aumento dos juros e das restrições ao crédito, a partir da prevalência da tese do chamado PIB potencial - crescimento sem inflação - que junto com a taxa mínima de juros (uma taxa de equilíbrio abaixo da qual os capitais fugiriam do Brasil) formam a dualidade mítica da ortodoxia.

Já ficou provado que são duas teorias que, na prática, não funcionam no mundo de hoje totalmente subvertido com a crise de 2008-2009, e agora com a crise europeia e a estagnação nos Estados Unidos. Só há uma maneira de se reduzir a inflação nos serviços: mais oferta.

Como, também, só há um jeito de se reduzir ainflação importada: crescer cada vez mais e fortalecer cada vez mais nosso mercado interno e nossa produtividade e competitividade para aumentar as exportações de capitais, serviços e tecnologia. Crescer menos não vai resolver nada - nem a inflação, nem a redução dos custos de nossa economia e nem sua competitividade.

Como a tendência mundial e de mais liquidez e mais dólares no mercado - até para salvar as economias desenvolvidas e seus bancos, ameaçados de default pelo agravamento da crise grega e italiana - precisamos repensar nossa estratégia e como já disse a presidenta Dilma Rousseff várias vezes nosso lema é crescimento, crescimento, crescimento. Leiam abaixo Dilma reafirma prioridades: crescimento, emprego e renda.



Tags:
Edições digital e impressa