Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

O maior delito de Murdoch

Terça, 12 de Julho de 2011 às 04:35, por: CdB

Apesar de o tablóide inglês News of the World, do magnata Rupert Murdoch, ter circulado pela última vez no domingo passado, os escândalos do grupo de comunicação do milionário australiano estão longe de cessar. Manchetes em jornais no mundo todo agora denunciam que outros jornais do grupo, entre os quais o respeitável Sunday Times, também teriam lançado mão da prática de escutas ilegais telefônicas. Pior, o alvo teria sido ninguém menos do que o ex-premier britânico Gordon Brown.

Brown alegou estar "chocado" com as denúncias de que também sua vida foi vasculhada de forma ilegal. A mulher de Brown, Sarah, escreveu no Twitter que as informações eram muito pessoais e será "realmente doloroso se for tudo verdade". O caso de Brown é o mais sério até aqui num escândalo que já tinha atingido celebridades, parentes de mortos em atentados e até familiares de soldados que combateram no Iraque e no Afeganistão. Além de escutas telefônicas, a conta bancária de Brown teria sido invadida e dados médicos de seus filhos teriam sido rastreados para revelar uma séria doença de um deles.

De acordo com a rede britânica BBC, o telefone de Brown teria sido violado por várias publicações do grupo, incluindo o "The Sun" e a edição de domingo do tradicional "The Times". O "Daily Telegraph" reporta que, na época, a própria Rebekah Brooks, então editora do "Sun", ligou para o político informando que o jornal publicaria uma reportagem sobre a doença de seu filho.

Jogo político

Murdoch nunca teve cerimônia em apoiar ou criticar duramente políticos na Grã Bretanha (leia mais neste blog). Foi o caso do atual premier, David Cameron, o qual recebeu publicamente o apoio do grupo de Murdoch nas últimas eleições. As relações entre eles são próximas o bastante para que Murdoch fosse um dos primeiros convidados a ser recebido em Downing Street, casa oficial do primeiro ministro, logo após a sua posse.

O próximo capítulo desta novela de crimes e escândalos será o desfecho da compra – ou não – por Murdoch da BSkyB, empresa de TV a cabo, na Grã Bretanha. O ministro da cultura Jeremy Hunt, em sessão extraordinária no Parlamento, apesar de já ter dado o seu consentimento à transição, recuou ontem e enviou o caso à análise da Comissão de Competitividade.

Sempre se soube que Murdoch manipulava o poder na Grã Bretanha. Ele já usou de todos os instrumentos, por meio de seus jornais e meios eletrônicos, para defender suas teses. A diferença dele para outros empresários do setor é que lançou mão de todas armas sujas a seu alcance. Mas, à semelhança de outros donos de mídias, é implacável na busca pelo controle político, sendo figura chave na montagem e desmontagem de governos. Com isso, talvez o seu maior delito esteja para além de seus crimes contra a privacidade e corrupção de autoridades. Com certeza, a sua busca pelo monopólio da informação e a manipulação política são tão ou mais graves do que os fatos hoje em destaque nas manchetes de seus concorrentes.

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