"No Brasil, as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixaram de acontecer”(Sergio Porto, o Stanislaw Ponte Preta)
Por ter nascido e vivido, em grande parte de minha vida, em cidade operária, a minha querida São Gonçalo do Amarante , que faz limites com Niterói, jamais me ocorreu que um dia veria ganhar manchetes a discussão sobre questão racial (que inexiste) ou étnica, que desagrega os pensamentos em confronto. Não deveria ser assim.
Preconceitos contra negro, índio, cigano, árabes , judeus e quejandos, sempre me pareceram uma enorme falácia, discussão oca para quem sempre foi orientado nos colégios da minha terra (e,certamente, nos demais) sobre a importância de amar o semelhante, verdadeiramente, de coração, fosse quem fosse.
Para quem jogava futebol, nos fins de semana, mesmo nos clubes de primeira divisão nos bairros, que não tinha recursos, sequer para comprar duas mudas de uniforme, era comum a entrega da camisa ensopada de suor ao substituído, pelo técnico, não importando a cor de sua pele.
O que entrava em campo, orgulhoso, ao ostentar o pavilhão do clube, esforçava-se em cumprir cabalmente a missão de vencer o “inimigo” de chuteiras. Nem aí para as emanações sudoríparas, que se confundiam numa só, no amor devotado ao clube pelo qual representava. Todos alinhados e coligados na santa busca da vitória.
Tempos, hoje, diferentes, quando se criou até um Ministério, o de Igualdade Racial, que potencializa, aí sim, uma forma de discriminação objetiva e odiosa, que convive com uma outra, a da reserva, nas faculdades, de cotas raciais, afastando o critério tradicional da disputa do merecimento ao consagrar manifesta desigualdade entre os candidatos.
Se há abusos ou perseguições, é preciso identificar o infrator, o da alma pequena, para receber a reprimenda legal, posto que a Lei Magna contempla o princípio da igualdade entre as pessoas., nos seus direitos e obrigações.
Em verdade, existe um enorme preconceito contra todos que vivem nesse belo País. Os cidadãos, por assim dizer,apátridas, posto que desassistidos e até mesmo perseguidos pelo Estado, indiscriminadamente, se situam na condição análoga a de escravo, sem exageros. Não têm direitos( assistência à saúde, segurança e à educação), apenas obrigações.
Servem, enquanto produzem, apenas para pagar tributos extorsivos ao senhor feudal, seu maior desafeto, pantagruélico e voraz, que sabe, como poucos, azeitar o aparelho fiscal para usurpar o produto de seu suor, arrancando o couro da classe média, sem nada oferecer em troca ao pobre e indefeso contribuinte, alçado à condição, portanto, de cidadão inferior, sem sonhos ou utopias. Esse é o maior dos preconceitos!
A situação é tão grave que não basta pagar.! É preciso guardar as guias de pagamento, para que o cidadão se acautele em não ter de pagar novamente,o mesmo imposto ,porque a administração pública, em todos os níveis, é desorganizada e cruel, sem pudor. Se tiver que penhorar e leiloar imóvel do pretenso devedor, não hesita em fazê-lo!
Estarrecedor o que diz o insuspeito jurista SAULO RAMOS, ex-Consultor Geral da República, em sua festejada obra “Código da Vida”.p. 297.ed;Planeta, o que revela a face empedernida de nossos governantes:
“Durante a discussão dos Planos Cruzados, ouvi algo espantoso dos funcionários do Ministério da Fazenda, a turma da casa, que estava lá há séculos.Quando nós, os juristas, advertíamos que determinada medida era inconstitucional ou ilegal, eles respondiam com a demonstração de uma estatística fantástica:
- Contra atos da Fazenda Nacional, apenas ingressam em juízo cerca de 30% dos prejudicados. A maioria, portanto, não reclama. Pode haver alteraçã