Jacques Tati (1907-1982) sempre foi o Charles Chaplin do cinema francês, um humanista sensível, de sua própria e inimitável maneira, como se viu em tantos de seus filmes, como os deliciosos Meu Tio (1958) e As Férias do Sr. Hulot (1953).
Então, que bom que o diretor de animação Sylvain Chomet existe para ressuscitar, 18 anos depois da morte de Tati, um roteiro que ele escreveu e que compõe a espinha dorsal deste doce e delicado O Mágico. O filme é uma animação retrô que está colecionando prêmios pelo mundo, como os do National Board of Review e o European Film Award, e concorre a outros, como o Globo de Ouro de melhor animação e o Bafta de melhor realização técnica.
Diretor do não menos delicioso As Bicicletas de Belleville (2003), Chomet apropria-se do roteiro de Tati com respeito quase total, limitando-se a pequenas mudanças, como transferir o cenário de Praga para três outras cidades (Paris, Londres e Edimburgo) e trocar a galinha da história original por um impagável coelho de maus bofes, sempre disposto a morder dedos humanos.
No mais, é no mesmo início dos anos 1960 do original que transcorre a sina de um mágico decadente, cujos traços correspondem exatamente à figura alta e desengonçada do verdadeiro Jacques Tati.
O mágico sem nome corporifica a dignidade de uma profissão aperfeiçoada em toda a vida que vem perdendo público e ameaça não mais garantir sua sobrevivência. Um tema que sempre atravessou toda a obra de Tati.
Acreditando numa mudança de ares, o mágico atravessa o Canal da Mancha, trocando sua Paris por uma Londres em que não encontra maior sorte. E, ainda por cima, enfrenta a concorrência de novíssimas atrações, como os roqueiros pintados à imagem e semelhança dos Beatles e Rolling Stones dos primeiros dias.
O encontro com um bêbado animado, vestindo uma kilt, anima o mágico a uma ida à Escócia. Numa pequena localidade, o mágico encontra a companheira de algumas novas jornadas, a garota Alice. Ao compadecer-se dos sapatos furados da menina, trocando-os por um novo par de calçados vermelhos, ele ganha sua devoção.
Sempre levando na bagagem o malcomportado coelho, os dois fixam endereço em Edimburgo, num hotel povoado por tipos circenses, como um ventríloco e três animados equilibristas, exercitando seus números atléticos pelas escadas.
Quase não há diálogos e nem é preciso, já que se aposta tudo na fluidez de uma narrativa que cria personagens vivos em cenários dinâmicos.
"O Mágico" é uma animação retrô
O diretor de animação Sylvain Chomet ressuscitou, 18 anos depois da morte de Jacques Tati, um roteiro que ele escreveu e que compõe a espinha dorsal deste doce e delicado O Mágico. O filme é uma animação retrô que está colecionando prêmios pelo mundo.
Quinta, 13 de Janeiro de 2011 às 12:30, por: CdB
Jacques Tati (1907-1982) sempre foi o Charles Chaplin do cinema francês, um humanista sensível, de sua própria e inimitável maneira, como se viu em tantos de seus filmes, como os deliciosos Meu Tio (1958) e As Férias do Sr. Hulot (1953).
Então, que bom que o diretor de animação Sylvain Chomet existe para ressuscitar, 18 anos depois da morte de Tati, um roteiro que ele escreveu e que compõe a espinha dorsal deste doce e delicado O Mágico. O filme é uma animação retrô que está colecionando prêmios pelo mundo, como os do National Board of Review e o European Film Award, e concorre a outros, como o Globo de Ouro de melhor animação e o Bafta de melhor realização técnica.
Diretor do não menos delicioso As Bicicletas de Belleville (2003), Chomet apropria-se do roteiro de Tati com respeito quase total, limitando-se a pequenas mudanças, como transferir o cenário de Praga para três outras cidades (Paris, Londres e Edimburgo) e trocar a galinha da história original por um impagável coelho de maus bofes, sempre disposto a morder dedos humanos.
No mais, é no mesmo início dos anos 1960 do original que transcorre a sina de um mágico decadente, cujos traços correspondem exatamente à figura alta e desengonçada do verdadeiro Jacques Tati.
O mágico sem nome corporifica a dignidade de uma profissão aperfeiçoada em toda a vida que vem perdendo público e ameaça não mais garantir sua sobrevivência. Um tema que sempre atravessou toda a obra de Tati.
Acreditando numa mudança de ares, o mágico atravessa o Canal da Mancha, trocando sua Paris por uma Londres em que não encontra maior sorte. E, ainda por cima, enfrenta a concorrência de novíssimas atrações, como os roqueiros pintados à imagem e semelhança dos Beatles e Rolling Stones dos primeiros dias.
O encontro com um bêbado animado, vestindo uma kilt, anima o mágico a uma ida à Escócia. Numa pequena localidade, o mágico encontra a companheira de algumas novas jornadas, a garota Alice. Ao compadecer-se dos sapatos furados da menina, trocando-os por um novo par de calçados vermelhos, ele ganha sua devoção.
Sempre levando na bagagem o malcomportado coelho, os dois fixam endereço em Edimburgo, num hotel povoado por tipos circenses, como um ventríloco e três animados equilibristas, exercitando seus números atléticos pelas escadas.
Quase não há diálogos e nem é preciso, já que se aposta tudo na fluidez de uma narrativa que cria personagens vivos em cenários dinâmicos.