Rio de Janeiro, 21 de Setembro de 2026

O labirinto da eleição alemã, com um toque de Brasil

Por Flávio Aguiar - No domingo e na segunda-feira realizaram-se os únicos debates frente a frente que acontecerão nas eleições alemãs, previstas para 22 de setembro. O confronto deu-se em duas etapas.

Terça, 03 de Setembro de 2013 às 09:04, por: CdB
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No domingo enfrentaram-se os candidatos potencialmente com maior número de votos, a chanceler Angela Merkel, da CDU/CSU (em torno de 40%)
No domingo e na segunda-feira realizaram-se os únicos debates frente a frente que acontecerão nas eleições alemãs, previstas para 22 de setembro. O confronto deu-se em duas etapas. No domingo enfrentaram-se os candidatos potencialmente com maior número de votos, a chanceler Angela Merkel, da CDU/CSU (em torno de 40%), e o desafiante Peer Steinbrück, do SPD (em torno de 25%). Na segunda-feira foi a vez dos “nanicos”: Jürgen Trittin, dos Verdes (em torno de 13%), Gregor Gysi, da Linke (em torno de 9%) e Rainer Brüdele, do FDP (sofridos 5%, o limite da cláusula de barreira). O segundo debate foi bem mais interessante do que o primeiro, descrito largamente na mídia alemã como “morno”. Apesar disto, deve-se notar que o candidato Steinbrück se esforçou por sublinhar as diferenças entre ele e Merkel, embora apenas quando o debate já ia pela segunda metade. Assinalou sua proposta de um salário mínimo nacional de 8,50 euros; criticou a falta de estímulo por parte da Alemanha (e do Banco Central Europeu) a uma política de recuperação econômica no chamado “sul” da Europa; acentuou a necessidade de uma política mais ativa na proteção de idosos; falou da necessidade de baixar os custos da energia. Ainda assim, o golpe da noite foi dado por um dos entrevistadores, o “show man” Stefan Raab, quando encostou Merkel na parede ao lhe perguntar se a espionagem norte-americana não era contra alei alemã do direito à privacidade. Por dever de ofício Merkel teve que dizer que não, o que não é bem verdade. E mal podia prever ela que algumas horas depois (devido à diferença de horário, no momento de 5 horas a menos entre Brasília e Berlim) iria explodir a denúncia sobre a espionagem norte-americana dirigida contra a presidenta Dilma (e também contra o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto). Embora inexplicavelmente Steinbrück não tenha ele mesmo trazido a questão à tona, ele ainda pode aproveitar desta saia justa para Merkel – reforçada agora por um duplo aspecto do caso Dilma. O primeiro aspecto é o da espionagem em si mesma. Afinal, se os Estados Unidos fizeram isto com a presidenta do Brasil terão muito mais razão para fazê-lo em relação à chanceler alemã. O segundo aspecto é, por tabela, o da credibilidade da própria chanceler. Ficou claro que dirigentes norte-americanos mentiram para a presidenta Dilma ao negar, antes, a existência de tal processo de espionagem. Por sua vez, a chanceler alemã vive repetindo ter garantias norte-americanas de que não existe tal tipo de espionagem, muito menos espionagem industrial, por exemplo. E agora ficou evidente que o valor destas garantias é zero. Além disso, a diferença das reações expôs a fragilidade da contemporizadora de Merkel, diante da veemência da brasileira. Já o debate da segunda à noite teve mais veemência. Apesar do desempenho equilibrado, pesquisa da Revista Der Spiegel dava vantagem para Gysi, da Linke, com 40 % dos votos de ter sobressaído. Depois vinha Trittin, dos Verdes, com cerca de 30%, empatado tecnicamente com os 29% de Brüderle, do FDP, cuja situação é a mais delicada. Apesar de ser continuamente cortado pelos entrevistadores, Gysi conseguiu de fato pontuar melhor as diferenças, inclusive quando rememorou que os Verdes, quando estavam no poder junto com o SPD, concordaram com o envio de tropas alemãs para o Afeganistão, contrariando sua tradicional posição pacifista. Este é um outro tema candente por aqui, devido à possibilidade/proximidade da intervenção norte-americana a e francesa na Síria. Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.
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