Leio noticia em off (quando quem a transmite não tem o nome divulgado) que em decorrência da alta do petróleo provocada pela insurreição popular em quase todo o Oriente Médio e países árabes, e a persistente valorização do real, o governo prepara medidas de incentivo e maior sustentação das nossas exportações - quem sabe um novo imposto.
Mas, o aumento dos preços do petróleo já era esperado e a valorização do real é um fato irreversível. Nunca é demais martelar, também, que ela é agravada pelo aumento da taxa Selic. E os de sempre - que vocês sabem quem são - pressionam para que já na semana que vem ela suba 0,75% de uma vez na reunião de 4ª feira do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central (BC).
Como a Selic remunera os dólares que vem para o Brasil e valorizam ainda mais o real, suas elevações tiram artificialmente a competitividade de nossas exportações. Ao elevá-la, então, na prática estamos transferindo renda de todas as atividades econômicas para o capital financeiro.
Utilizam-se de offs para plantar defesa de alta dos juros
Aumentar mais a taxa Selic significa anular todas as outras medidas, quaisquer que sejam, antivalorização cambial - do contingenciamento orçamentário de R$ 50 bi às restrições ao crédito. Se ocorrer, continuaremos enxugando gelo, agravando nosso déficit externo e o custo de nossa divida interna e da manutenção de nossas reservas.
As notícias desencontradas e as informações em off - agora é a de um imposto para formar um fundo sobre a exportação de commodities - só agravam o quadro que se vai criando de incertezas. Este imposto sobre exportações de commodities viria a ser adotado em função dos produtos que exportamos (matérias primas e alimento).
Seria, na prática, um reforço para o Fundo Soberano e poderia ser usado, também, na baixa de preços agrícolas. Falam, também, de um aumento de impostos sobre bebidas! Estas medidas - o imposto, inclusive, se criado - não deixam de expressar, na prática, a contradição maior do momento, o aumento da taxa Selic.
Segundo o BC, ela ocorre para frear a inflação quando, na verdade, só valorizará mais o real e aumentará mais os gastos fiscais do governo. Sem que estes (gastos) representem mais investimentos ou despesas, mas apenas transferência de mais renda para o setor rentista-financeiro.
O jogo envergonhado pró aumento dos juros
Sábado, 26 de Fevereiro de 2011 às 14:10, por: CdB