Rio de Janeiro, 06 de Agosto de 2026

O jeito de o PT governar

Por Flávio Aguiar - Entre mortos e feridos, e as novas tendências e tensões do jeito petista de governar, esperemos e contribuamos para que muita coisa dê certo. Senão, quem vai recolher os despojos é o PFL. E os despojos seremos nós, os brasileiros. (Leia Mais)

Quinta, 12 de Junho de 2003 às 18:36, por: CdB

Se há um partido que montou estratégias consistentes nas suas administrações de governo para romper com o tradicional patrimonialismo e política de favores do e dentro do Estado brasileiro, foi o PT, como líder das administrações populares que mudaram a paisagem política de cidades e estados da nação. Se houve senões, foram fenômenos isolados e que na esmagadora maioria foram controlados a partir do próprio partido. Grande parte dos sucessos eleitorais do PT e de suas alianças vem daí, em conjugação com políticas sociais mais transparentes que promoveu, como a do orçamento participativo, de renome mundial. Até o momento não há qualquer indício de que o partido venha a romper com estas suas características, agora que lidera o governo federal. A questão da política econômica mais justa ou menos justa está colocada onde deve estar: no plano político das possibilidades do momento e no plano político da concepção e alcance do Estado como regulador da economia (com a polêmica sobre a autonomia do Banco Central), mas não no plano da concessão e administração de favores, benesses, prebendas e sinecuras, como é da tradição brasileira. Com isso o país ganha e dá um passo real para a construção da modernidade, seja-se pró ou contra uma ou outra coisa, e quem está escrevendo não é um entusiasta, nem quando se trata da atual política econômica, nem quando se trata da autonomia do Banco Central. O que quero assinalar é que o país ganha com o nível da discussão que pode se abrir, se ela for efetivamente aberta nestes termos. Quanto às políticas sociais, o problema é de outra natureza. Por alguma razão o governo não conseguiu montar ainda um estratégia eficiente para a área de comunicações e mídia. Esta trata em bloco a política econômica e fragmentariamente as políticas sociais, o que mantém como referência a agenda neoliberal fundada na idéia de que o que interessa é o mercado. Isso promove uma espécie de cerco ao governo, e algumas de suas atitudes ajudam a manter este cerco, como se verá mais adiante. Pode-se perceber que há iniciativas de vulto sendo preparadas e já implementadas no plano social, mas elas não aparecem de modo suficiente ou consistente para definir um perfil. Cito, sem querer esgotar o campo, mas por serem áreas a que o olhar deste escritor esteve mais atento: a educação, a reforma agrária, a justiça, o meio ambiente, minas e energia, a luta contra o preconceito racial, e a cultura. A lista até poderia ser maior, se o colunista se informasse melhor. Não esqueço o criticado Fome Zero. Se é verdade que padeceu de problemas de organização, e ninguém pode negar isso, teve o mérito de trazer para o primeiro plano a preocupação com a solidariedade social e de tornar-se uma das pedras de toque da política internacional do governo, o que é bom para o Brasil e para o mundo. Parte das críticas dirigidas ao conteúdo e aos propósitos do Fome Zero pela mídia conservadora vem ditada pelo secreto ou escancarado horror que muitos dos que a freqüentam têm quando se defrontam com algo que cheire a povo e a respeito pelo povo na política. Não conseguem esconder essa aversão atávica: tudo o que emana desta figura mítica (mito para este articulista não é ofensa) passa a ser qualificado como "paternalismo", "demagogia", "assistencialismo", sem maiores ou menores análises de fundo. São jargões da confiança do velho elitismo liberal da política brasileira, para quem todos são iguais mas alguns são mais iguais do que os outros, e os que não pertencem ao seleto clube que se virem ou se danem. Tornou-se agora moda descrever o discurso de Lula como "messiânico", e que ele aspira a ser uma nova edição do "pai dos pobres". Na verdade foi desde sempre a própria classe dirigente brasileira que promoveu uma certa tonalidade messiânica, de herança sebastianista, de esperar-se continuamente um "esperado", um "desejado", um "salvador da pátria", cuja última edição deslavada foi Collor, não Lula. Nem o próprio Fernando Henrique esca

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