Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

'O importante não é a renda, mas o crédito' diz Nobel da Economia

Ao contrário do que se pensa, o dinheiro não é o grande responsável pelo desenvolvimento; o maior facilitador de atividades econômicas de um país é o crédito. Essa, ao menos, é a teoria que o prêmio Nobel de Economia, o norte-americano Joseph Stiglitz, defende em seu livro recém-lançado no Brasil, Rumo a um novo paradigma em economia monetária. Em entrevista à Agência Brasil, ele conta o que o Brasil poderia fazer para alcançar suas metas sociais, baseado nesse "novo paradigma".(Leia Mais)

Domingo, 27 de Junho de 2004 às 10:51, por: CdB

Ao contrário do que se pensa, o dinheiro não é o grande responsável pelo desenvolvimento; o maior facilitador de atividades econômicas de um país é o crédito. Essa, ao menos, é a teoria que o prêmio Nobel de Economia, o norte-americano Joseph Stiglitz, defende em seu livro recém-lançado no Brasil, Rumo a um novo paradigma em economia monetária. Em entrevista à Agência Brasil, ele conta o que o Brasil poderia fazer para alcançar suas metas sociais, baseado nesse "novo paradigma".

Caso a tese de Stiglitz esteja correta, boa parte da teoria tradicional sobre teoria monetária estaria errada. Uma vez que o crédito é determinante para o desenvolvimento econômico de um país, conforme defende o norte-americano, os bancos seriam peças fundamentais desse sistema - já que são responsáveis por boa parte do crédito do país. No Brasil, a diferença entre os juros que os bancos pagam quando tomam dinheiro e os juros que cobram quando concedem empréstimos (conhecida como spread bancário) é uma das maiores do mundo: em dezembro de 2003, era 30,5% ao ano. Para se ter uma idéia, essa taxa é muito menor em países como a Coréia do Sul (3,6% ano ano), Malásia (1,2%), México (3,0%), Rússia (3,9%) ou na região do Euro (3,2%).

Stiglitz afirma que os bancos não são uma indústria competitiva em quase nenhum país do mundo, e não se pode dizer deixe que a liberdade de mercado faça seu trabalho. Não seria possível chamar isso de conspiração, mas o grau de competição é suficientemente baixo para não haver pressões sobre o spread. Esse é um problema sério, principalmente para países em desenvolvimento. Segundo ele, os bancos estão aproveitando essas diferenças enormes e produzindo lucros exorbitantes com elas.

- Minha sugestão é que o governo tente criar dispositivos fortes para uma política anti-truste capaz de fazer com que as taxas de empréstimos bancários baixem. Mas se isso não for rápido o suficiente, penso que medidas mais fortes seriam apropriadas.

Por não compreender esse sistema, segundo Stiglitz, é que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria cometendo erros.

- Eles acreditam demais no livre mercado e no sistema bancário. Eu diria que o governo brasileiro deveria ver o FMI com um bom grau de ceticismo. O sistema de julgamento do FMI está errado. As políticas fiscais e monetárias são geralmente equivocadas. Mas, obviamente, governos que praticam boa política devem escutar todos os lados de uma questão antes de tomar sua própria decisão - afirma.

O prêmio Nobel também defende as medidas conhecidas como controle de capitais como mecanismos de estabilização da economia.

- Acho que as melhores medidas são aquelas parecidas com o que fez o Chile, o controle de capitais na entrada - diz.

Nascido nos Estados Unidos, Joseph Stiglitz compartilhou um prêmio Nobel com outros dois colegas em 2001. Hoje dá aulas na Universidade de Columbia, em Nova York. Foi economista-chefe e vice-presidente do Banco Mundial de 1997 a 2000 e, depois, tornou-se um grande crítico de todas as instituições financeiras internacionais.

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