Rio de Janeiro, 19 de Fevereiro de 2026

O império da mentira e o jornalismo fraudulento

Por Lula Miranda: Reforma da mídia já! Ooops, desculpe-me! Esqueci que esse tema é um dogma. Pode ser legítimo o desejo de reformar o Judiciário, o Legislativo, até o Executivo, só não pode mexer com o poder absoluto, imperial da imprensa – por que aí já é “totalitarismo” e “censura”. (Leia Mais)

Sábado, 22 de Setembro de 2007 às 11:07, por: CdB

O título desse artigo foi extraído de um dos possíveis lemas e do que seria o “ideário”, ainda difuso e “inacabado”, e, talvez, pretensão minha, tangencie a essência da luta do chamado movimento dos “sem-mídia” (MSM). Os “insurgentes” reunidos nesse movimento que ousa subverter a pauta do escárnio que nos é imposta estão corretos. É urgente mesmo que lutemos contra o domínio e o poder despótico da grande mídia, suas mentiras, manipulações, seu moralismo e “denuncismo” seletivos.

Não que se pretenda calar e/ou manietar os meios, ou atentar contra a liberdade de imprensa (ou qualquer disparate nesse sentido) – em absoluto! Mas, é preciso combater também a arrogância, a grandiloqüência, a soberba e a megalomania de certos veículos, bem como de certos jornalistas que lhes servem como bonecos de ventríloquo e/ou sabujos, e que pretendem pautar o governo, a oposição e o país – a pauta “monopolista” e “onipresente” agora é um tal “Renangate”. Só fala no famigerado Renan Calheiros – até a saturação.

Mas a quem serve essa grande imprensa? Aos interesses e direitos universais e legítimos do leitor a uma informação isenta e de qualidade? Ao povo brasileiro? Certamente que não.

Se de fato desejamos a verdade (a que liberta) e, por isso, reivindicamos um jornalismo comprometido com a verdade factual e o máximo (quanto possível) independente de ideologias, partidos e governos, é necessário que, primeiro, busquemos respostas inequívocas a essa questão: a que(m) serve a grande mídia?

Desgraçadamente, sejamos honestos, ideologias à parte, e ainda parolando no campo da pedagogia da obviedade, a grande mídia serve aos interesses da “classe dominante”, aos que lhe financiam e dão sustentação; serve aos “donos do poder” – remetendo, novamente, à expressão cunhada por Raymundo Faoro. Então, seria no mínimo ingênuo esperar que essa mídia se posicionasse ao lado dos trabalhadores, ou dos movimentos sociais, e favoráveis às reivindicações destes.

E, de posse desse “mandato”, que lhes foi outorgado pelos “donos do poder”, despótica, imperial essa mídia já não consegue disfarçar ou ocultar o mandonismo atávico de antanho – e de sempre. Denuncia, julga e condena em editorias ou em reiteradas e canhestras matérias – mas apenas de acordo com suas conveniências e/ou de acordo com a conveniência e interesses daqueles que representa. Muitas vezes, ao arrepio da lei e do Estado de Direito.

A estratégia é simples: quando se trata dos amigos do establishment e/ou de correligionários e “irmãos” de estamento, o tratamento dado à denúncia é diferenciado. No máximo publica-se uma ou duas notinhas fazendo o registro dessa “denúncia , para logo em seguida, de maneira conveniente, tirá-la da pauta e do noticiário. O fato logo cai no esquecimento e, para todos os efeitos, a denúncia foi feita – está lá o registro, o álibi. Para todos os efeitos, o veículo é pluralista e não protege os amigos. Perceberam o engodo? Perceberam o ardil?

Ao passo que, quando as denúncias, sejam elas críveis ou não, se referem a membros do governo Lula ou de sua base aliada, aí sim são, claro, publicadas, repisadas e, se necessário, requentadas, e permanecem na pauta até a exaustão – ou até que se consiga derrubar o alvo em questão. Pode ser um ministro, um senador, um governo.

Um exemplo recente: o tal “caos” aéreo ou “apagão” aéreo – como preferirem. Havia (e ainda há), de fato, uma crise no setor aéreo do país, em parte devido ao vácuo deixado pela insolvência da Varig, em parte devido ao aumento (louvável) substancial da demanda e, também, sim, em grande parte, devido à incompetência de órgãos do governo em se antecipar a esse previsível aumento da demanda ou “gargalo”. E, claro, mas isso ninguém fala, também devido a sanha pelo lucro fácil de algumas companhias aéreas que retardavam e cancelavam vôos, faziam overbooking (vendiam mais passagens do que a quantidade de assentos disponíveis no vôo permitia)

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