Ainda no registro mudo, o filme de 1928 vai encantar o público contemporâneo. O ator e diretor Buster Keaton assinou contrato com a MGM em 1928, quatro anos depois de o estúdio ter sido criado, por meio de uma fusão. Mais tarde, iria descrever a iniciativa como o pior desacerto de sua carreira.
Keaton chegou à MGM como um grande cômico e deixou o estúdio cinco anos mais tarde arrasado. De cômico original passou a ator assalariado, pago para representar papéis descritos como "idiotas e infantis". O alcoolismo, o distanciamento de seus filhos devido ao divórcio e a passagem por um sanatório agravaram o cenário de pesadelo.
Em todo caso, O Homem das Novidades foi um sucesso retumbante, descrito pelo crítico Robert Osborne como "um dos verdadeiros clássicos de Buster Keaton", e aparece na versão atual quase intacto.
O negativo original do filme se perdeu num incêndio num depósito nos anos 1960, mas, mais tarde, restauradores encontraram um positivo que tinha sido guardado como material para um filme sobre os grandes destaques da MGM. O positivo, no entanto, estava incompleto, razão pela qual a qualidade do filme varia um pouco.
O filme narra a história de um cinegrafista de rua (Keaton) que se apaixona e encontra emprego na unidade de cinegrafistas de notícias da MGM. De acordo com um crítico, a fita se tornaria o "modelo de todos os filmes cômicos posteriores" da MGM. Durante anos, todos os humoristas que queriam trabalhar para o estúdio tiveram que assisti-lo, rir e aprender com ele.
A atual versão de O Homem das Novidades inclui uma nova trilha sonora de Arthur Barrow, saído de uma das bandas posteriores de Frank Zappa. A trilha respeita as tradições do cinema mudo, mas não hesita em inovar, como, por exemplo, quando deriva para o psicodélico na cena passada num antro de fumadores de ópio.
Um crítico disse que o apelido de Buster Keaton, Grande Rosto de Pedra, é bobagem, chamando a atenção para uma das primeiras cenas do filme, em que o ator admira a heroína, olhando para ela por cima do ombro. Para o crítico, "ele tinha os olhos mais expressivos do cinema".
O Homem das Novidades é conhecido sobretudo pelo improviso de Keaton no campo vazio do Yankee Stadium e pela cena do tiroteio entre gangues de Chinatown, registrada pelo corajoso cinegrafista. Um macaquinho rouba corações e a cena.
As habilidades de improvisador de Buster Keaton impulsionaram suas comédias mudas, transformando-o em um astro. "Material era a última coisa no mundo que me preocupava", disse o humorista, numa entrevista concedida nos anos 1960. "Eles só precisavam me deixar solto no set." Mas a MGM acabou reprimindo os improvisos e a liberdade do grande cômico.