Rio de Janeiro, 02 de Setembro de 2026

O Hezbollah e o assassinato do promotor Nisman

Por Moisés Rabinovici - O que pode haver em comum entre a morte de seis guerrilheiros do Hezbollah, domingo, num ataque aéreo atribuído a Israel, na Síria, e a morte do promotor que levou a investigação do bombardeio que matou 85 judeus em Buenos Aires, em 1994, para bem próximo da presidente Cristina Kirchner?

Terça, 27 de Janeiro de 2015 às 13:00, por: CdB
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Colunista chama a atenção para o Ezbollah no assassinato do promotor argentino Atentado à comunidade judáica em Buenos Aires, foi atribuído ao Irã e ao Ezbollah pelo promotor Nisman, assassinado há uma semana
O que pode haver em comum entre a morte de seis guerrilheiros do Hezbollah, domingo, num ataque aéreo atribuído a Israel, na Síria, e a morte do promotor que levou a investigação do bombardeio que matou 85 judeus em Buenos Aires, em 1994, para bem próximo da presidente Cristina Kirchner?
Uma coincidência: em 1999, a Argentina pediu a prisão do chefe do Estado-Maior do Hezbollah, Imad Mugniyah, um dos executores do atentado em Buenos Aires, morto misteriosamente em 2004, em Damasco, e seu filho, Jihad Mugniyah, morreu no ataque que ainda matou Abu Ali al-Tabtabai, chefão das forças especiais da fronteira sírio-libanesa, no domingo. O corpo do promotor argentino Alberto Nisman foi encontrado na madrugada de segunda-feira.
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A investigação da explosão na Associación Mutual Israelita Argentina (AMIA) está marcada por surpresas. O juiz que a conduzia em 2005, Juan José Galiano, foi removido sob a acusação de “sérias irregularidades”. A “conexão local” do atentado, recheada de policiais de Buenos Aires, foi absolvida, ao ser julgada. Hoje papa, o cardeal Jorge Mário Bergoglio deu a primeira assinatura numa petição chamada “85 vítimas, 85 signatários”, pedindo justiça. O promotor Nisman, agora morto, acusou o governo do Irã de planejar, e o Hezbollah de executar, o atentado. O local, Buenos Aires, havia sido o alvo escolhido por ter a Argentina, em 2006, suspendido a transferência de tecnologia nuclear para os iranianos. Em 2012, Nestor, o marido de Cristina, foi acusado de obstruir as investigações, até mesmo acobertando provas que revelariam os argentinos que colaboraram com o Hezbollah. Muito dinheiro irrigou as reviravoltas do caso, mas quem o movimentou e quem o recebeu, não foram identificados. A morte do promotor Nisman, horas antes de uma audiência em que ele relataria detalhes da atual investigação, divide os políticos argentinos. Enquanto a oposição se mobiliza para que o assassinato seja esclarecido rapidamente, um grupo sustenta a tese de suicídio. Mistérios: quando Mugniyah, o pai, foi morto, a suspeita recaiu sobre o Mossad israelense. Agora, a morte de Mugniyah, o filho, também é atribuída a um míssil disparado por um helicóptero israelense. Em ambos os casos, Israel não se pronunciou. Moisés Rabinovici, jornalista e grande repórter, correspondente durante anos do Estadão em Israel, redator da Agência Estado, diretor dez anos do Diário do Comércio de São Paulo, até o mês passado com o fechamento da edição papel do jornal pela Associação Comercial de São Paulo. Direto da Redação é editado pelo jornalista Rui Martins  
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