Rio de Janeiro, 30 de Março de 2026

O Grito dos Excluídos leva milhares às ruas de todo o país

Milhares de brasileiros foram às ruas, nesta quinta-feira - Dia da Independência nacional -, durante protesto contra a desigualdade social, a corrupção na política e o modelo econômico em vigor no país. (Leia Mais)

Quinta, 07 de Setembro de 2006 às 15:26, por: CdB

O número de cinco mil pessoas desapontou os organizadores do movimento Grito dos Excluídos, realizado nesta quinta-feira, no Pátio do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte, no Vale do Paraíba. Os organizadores do manifesto realizado há 12 anos, esperavam aproximadamente 10 mil pessoas.

Faixas e cartazes denunciando a corrupção, a falta de oportunidade e a exclusão da população carente ganharam força com gritos de guerra e encenações. O manifesto, apartidário, pregou que a indignação com a atual situação econômica e política do Brasil devem e podem provocar uma mudança nos brasileiros.

Segundo a organização havia representantes de 40 grupos católicos e de movimentos sociais, como o Movimento dos Sem Terra (MST). O ato não recebeu a visita de nenhum político ou candidato a cargos eletivos.

Em tempos de eleição, o Grito dos Excluídos mostrou-se bastante preocupado com o voto consciente.

- O voto é um momento de democracia, mas não é democracia. A luta tem que ser diária, não só em época de eleição-, disse Luis Gonzaga da Silva, coordenador da direção nacional do Grito.

Presença em São Paulo

Moradores de favelas, militantes de partidos políticos, religiosos, mulheres marginalizadas, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de outros movimentos sociais e sindicais participaram nesta quinta-feira, na capital paulista, do Grito dos Excluídos. A marcha foi encerrada com ato público em um palco montado ao lado do Monumento da Independência, no Ipiranga, zona sul da cidade.

A Polícia Militar calculou em dois mil o número de participantes, mas os organizadores estimaram entre 5 e 10 mil manifestantes, no maior aglomerado do gênero, conforme declararam.

 Essa foi a nona vez que o ato ocorreu na cidade de São Paulo. O Grito começou com a celebração de missa, na Catedral da Sé, por volta das 7 horas. Depois de uma concentração na Praça da Sé, milhares de manifestantes saíram, às 10 horas, em romaria a pé até o Parque da Independência, distante cerca de 7 quilômetros. Em dois carros de som, palavras de ordem em favor das causas sociais eram intercaladas por canções, como a de Geraldo Vandré, "Pra Não Dizer que Não Falei das Flores".

 Ao chegar ao parque, por volta das 12h15, os manifestantes, agitando bandeiras e cartazes, espalharam-se entre as escadarias do Monumento da Independência, o gramado dos jardins do Museu do Ipiranga e a área calçada, diante do palco e carro de som montados para o ato público. No meio do público, uma enorme faixa exibia o lema da campanha da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e marcava posição contra demissões na fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. "Nenhuma demissão na Volks" e "Redução de Jornada Sem Redução Salarial" dizia a enorme faixa branca, estendida diante do palco de manifestação.

O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral de Rua, primeiro orador, destacou o assassinato de sete moradores de rua em agosto de 2004, na região central de São Paulo. Outras sete pessoas ficaram feridos no episódio, que ficou conhecido como massacre dos moradores de rua. Inconformado com o fato de tais crimes não terem ainda sido esclarecidos, o padre disse que continuará lutando por justiça. "Vamos pressionar, porque é impossível aceitar que esse crime fique impune", afirmou.

Lancelotti criticou a prefeitura de São Paulo, acusando diretamente o prefeito Gilberto Kassab de perseguir moradores de rua, além de catadores de papel. "Continua o massacre dos mais indefesos. Até o cobertor que eles têm para não morrer de frio, a prefeitura está tirando deles", afirmou.

A assessoria de imprensa da prefeitura contestou o padre, dizendo que, diferentemente do que disse Lancelotti, continua o trabalho permanente de recolhimento de mendigos por 62 agentes municipais, que os levam os moradores para albergues. A grande dificuldade, segundo a ass

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