O nosso Dia da Pátria, 7 de Setembro, é marcado por um grito de independência, de liberdade. Os livros de História nos relatam o Grito do Ipiranga, mas com o passar do tempo ouvimos também outros gritos por liberdade, por justiça e paz, gritos que realmente deixaram ecos. Mantido o sonho da independência que ainda não é plena, no Brasil surgiu o Grito dos (as) Excluídos (as), um clamor dos que se sentem fora do sistema, mas que não desejam simplesmente entrar nele, mas construir uma nova sociedade onde todos (as) possam viver com igualdade de direitos. Com o Grito dos (as) Excluídos (as) queremos unir as forças populares do Brasil e lutar pela verdadeira independência desse país, conquista que o Grito do Ipiranga não obteve plenamente.
O grito por liberdade está na origem da nacionalidade brasileira. Já bem antes do Grito do Ipiranga, ecoou nos ares do Sul, deixando uma marca no céu, o bravo grito de Sepé Tiarajú, que exclamava perante os exércitos espanhol e português: "Esta terra tem dono". No Brasil também se levantou o grito de Antônio Conselheiro, de Zumbi dos Palmares e de tantos outros que, as vezes calados de medo, mas inconformados, resistiam no sonho e na luta. O grito de independência, de liberdade é nossa marca patriótica. Por isso, desde o ano de 1995, no Dia da Pátria, faça chuva ou faça sol, em muitos lugares do nosso Brasil acontece o Grito dos (as) Excluídos (as). Claro que em apenas um dia não é possível rememorar os tantos gritos que reverberaram ao longo dos anos de exploração nesta terra. Mas os clamores que ecoam Brasil afora, hoje se unem num só grito, o solidário e coletivo Grito dos (as) Excluídos (as).
E nessa que é a 11ª edição do Grito dos Excluídos, foi escolhido como lema: Brasil, em nossas mãos a mudança. A manifestação patriótica, cívica, solidária, rebelde e transformadora do Grito dos (as) Excluídos (as), no dia 7 de Setembro, quer mostrar para a sociedade brasileira que a mudança desse país não está apenas nas mãos de políticos e autoridades, mas principalmente, nas mãos trabalhadoras do nosso povo. O grito desse ano quer ser uma amorosa declaração ao Brasil de que nos sentimos responsáveis pela mudança e nos comprometemos a lutar para que ela realmente aconteça. Ir pra rua no Dia da Pátria e dizer: "Brasil, em nossas mãos a mudança" é, com toda certeza, um gesto de amor e comprometimento com a mudança desse país. Porque é fácil criticar os governos e é importante critica-los sempre que necessário, mas também é preciso que o povo faça a sua parte, construindo a verdadeira mudança.
Frei Pilato Pereira é articulista do Correio do Brasil