A obra-prima de Edvard Munch, O Grito, aparentemente não foi danificada por um roubo em 2004, mas seu trabalho menos conhecido, Madonna, sofreu um corte pequeno, disse na segunda-feira um homem acusado de participação no roubo.
- As pinturas não foram destruídas no roubo. Eu vi o que pareceu ser um corte insignificante (em Madonna). O outro (O Grito) parecia em boas condições - disse Thomas Nataas, referindo-se a duas obras tiradas por homens armados do Museu Munch de Oslo em agosto de 2004.
As telas foram escondidas durante várias semanas em um ônibus de propriedade de Nataas, em uma fazenda ao norte de Oslo. Especialistas em artes plásticas temiam que os trabalhos, pintados por Munch, um norueguês, em 1893, tivessem sido seriamente danificados quando os ladrões arrancaram as molduras de madeira, atirando-as pela janela de um carro usado na fuga, aparentemente temendo que elas pudessem ter dispositivos de rastreamento por satélite. Nataas, 35 anos, deve ir a julgamento no próximo mês, acusado de receptar material roubado. Outros cinco homens são acusados de planejar o roubo e de roubar as pinturas, que ainda não foram recuperadas.
- Sou inocente - disse Nataas, acrescentando que apenas encontrou as pinturas em sacos plásticos, ao perceber que alguém havia arrombado o ônibus.
Ele disse ao canal de televisão independente TV2 da Noruega que ficou com medo de contar o que encontrara à polícia, temendo que os criminosos pudessem vingar-se dele de alguma forma. Ele disse que conhecia um dos outros homens acusados. Nataas disse que a polícia havia atrapalhado uma tentativa para recuperar as telas quando os ladrões as transferiram para um novo esconderijo, em 24 de setembro de 2004. Ele disse que a polícia havia colocado escuta em seu telefone quando um dos acusados ligou para Nataas vários dias antes para dizer que iria recolher as pinturas. A polícia acusou Nataas de embrulhar as pinturas para que elas fossem recolhidas.
O Grito mostra uma figura aterrorizada sob um céu vermelho-sangue. A pintura virou um ícone da angústia existencialista, em um século repleto de horrores como a bomba atômica e o Holocausto. Madonna mostra uma misteriosa mulher com os seios nus e longos cabelos negros.