Rio de Janeiro, 23 de Setembro de 2026

O Goleiro Bruno e a Sua Derradeira Defesa

Domingo, 03 de Julho de 2011 às 04:12, por: CdB

Por João Drummond 03/07/2011 às 09:49

De um lado os volumosos cadernos da peça processual que forma o intrincado quebra-cabeça. Que esmiúça detalhes. Que destrincha a trama.
De outro, advogados sem escrúpulo, dispostos a tudo para ganhar na marra.
A defesa afirma que sem corpo não há crime. Estranha tese de justiça. Um convite a formação de uma nova e macabra modalidade profissional.
Para matar sem cometer crime é só sumir com o corpo. Nem é tão difícil assim.

Estático entre as três balizas da meta. Olhar firme, hora na bola, hora no cobrador. O Estádio em súbito silencio. Uma fração de segundo, uma eternidade. O ultimo defensor tem com a bola uma relação contraditória. Num momento a acolhe entre os braços, em outro é vencido e humilhado por ela, que lhe escapa das mãos enluvadas, e estufa a rede. Amor e ódio. Assim é a relação de Bruno Fernandes com a vida. A fama, a paixão, o grito da galera, convertidos por capricho do destino, no lamento choroso dos deserdados.
Dos verdes gramados ao presídio de segurança máxima (ou mínima) de Contagem.
Bruno Goleiro se prepara para sua derradeira defesa. E esta é definitiva. Vale numa vida. O cobrador é implacável, não dá tréguas, clama por justiça.
E a justiça estará nas mãos de homens e mulheres comuns, escolhidos entre os cidadãos de bem. Aqueles mesmo que foram bombardeados pela novela tragicômica que adentrou nossos lares em horário nobre.
De um lado os volumosos cadernos da peça processual que forma o intrincado quebra-cabeça. Que esmiúça detalhes. Que destrincha a trama.
De outro, advogados sem escrúpulo, dispostos a tudo para ganhar na marra.
A defesa afirma que sem corpo não há crime. Estranha tese de justiça. Um convite a formação de uma nova e macabra modalidade profissional.
Para matar sem cometer crime é só sumir com o corpo. Nem é tão difícil assim.
Antever passos da pericia só sendo também um perito. E este perito existe e é um coadjuvante importante da trama.
Uma figura saída das paginas de terror da mente mais diabólica. Uma pessoa capaz de matar friamente, transformar um corpo em pó e sumir com as cinzas lá no pântano, não é boa companhia nestas horas. Aliás, em hora nenhuma.
O Macarrão das tatuagens. Uma amizade levada às ultimas conseqüências. O menor de língua solta, corrompido neste festim dos infernos, foi a peça frágil da engrenagem. Seu depoimento e o carro do Bruno, com documentação vencida, apreendido em blitz de rotina, com manchas de sangue da Elisa, começaram a desfiar o novelo. Senão tudo ficaria como estava, um simples caso de desaparecimento.
O primo Sergio, o homem das mil versões, acossado por advogados sem honra. E o tal juramento ao receber a beca e a toga? Prá que serve?
Será que gastar tanto com advogados é uma boa estratégia neste caso? Já que segundo a versão da defesa, Elisa esta apenas sumida, não seria melhor se dispensar os advogados e contratar um detetive para achar a moça?
Quem sabe propor-lhe um acordo:
? Olha Elisa, você diz que depois que saiu do sitio, sofreu uma queda, bateu a cabeça e perdeu a memória. Livra a cara de todo mundo, recebe aquilo que pediu inicialmente (pensão, apartamento) e todos vamos ser felizes para sempre.
Mas acho que isto não vai colar. O Ratinho já havia oferecido hum milhão de reais para quem apresentasse provas da Elisa viva. Ninguém pareceu.
Se o Bruno e seu bando não quiseram tentar esta solução é porque eles têm certeza de que Elisa está morta, bem morta e já voltou ao pó.
Um corpo transformado em milhões de fragmentos invisíveis que misturado a essência das coisas clama por justiça.
Por estranha ironia a ausência do corpo da Elisa, contrariando a tese da defesa, é a maior testemunha de acusação do caso Bruno Goleiro.
O caso expôs a fragilidade de nossas instituições públicas (polícia, judiciário, e legislativo), despreparados para tratar com segurança de casos criminais de muito apelo midiático.
Conhecemos também as técnicas kamikaze de defesa de alguns advogados. Atirar para todos os lados e jogar m... no ventilador. O caso promete bastante notoriedade, alem, é claro de uma boa grana. De repente tudo passa a valer a pena num país que é conhecido como paraíso da impunidade e da justiça morosa e flexível.

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