Previsível, e como era esperado, já começou a reação conservadora contra a realização da consulta popular sobre a proibição do comércio de armas no país. Conforme o texto em elaboração a ser encaminhado à deliberação do Congresso Nacional, a proposta é de que o referendo seja realizado no 1º domingo de outubro próximo.
O lobby do comércio de armas é forte e a reação não se dá em cima exatamente da proposta a ser submetida à votação da população - se proibimos ou regulamos severamente esse comércio, ou não (vejam, também, a nota abaixo).
O que está sendo combatido inicialmente é a realização da própria consulta. Argumentam que a população já foi questionada recentemente sobre o assunto (em 2005) e por isso não há motivo para se gastar dinheiro fazendo a mesma pergunta agora.
Quem tem medo do voto?
Para escamotear a necessidade de realização da consulta, surgem propostas paliativas, como a colocação de chip em cada arma para possibilitar um rastreamento de sua localização - o que não resolveria nada nem inibiria este comércio.
Ou, ainda, sugerem a aplicação do Estatuto do Desarmamento, um documento ultrapassado e que se sabe, não trará os resultados reivindicados hoje pela população brasileira quanto a esta questão.
Quem tem medo das urnas, do voto da população? Ora, quanto mais eleição, consulta, referendo e plebiscito se realizar no Brasil, melhor. Inclusive porque em todas essas formas a população é que estará decidindo. Existe algo mais democrático do que uma questão dessa natureza ser decidida nas urnas pelos cidadãos?
Rio de Janeiro, 16 de Agosto de 2026
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