Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

O fim da ética da IstoÉ, a revista que vende reportagens por quilo

Segunda, 19 de Setembro de 2011 às 08:06, por: CdB

18de setembro de 2011

DaSecretaria Nacional do MST

Arevista IstoÉ publica na capa da edição desta semana um boné do MST bem velho esurrado, sob terras forradas de pedregulhos.

Decretana capa "O fim do MST”, que teria perdido a base de trabalhadores rurais eapoio da sociedade.

Premissaerrada, abordagem errada e conclusões erradas.

Amentira

AIstoÉ informa a seus leitores que há 3.579 famílias acampadas no Brasil, dasquais somente 1.204 seriam do MST.

Arevista mente ou equivoca-se fragorosamente. E a partir disso dá uma capa derevista.

Segundoa revista, o número de acampamentos do MST caiu nos últimos 10 anos. E teriachegado a apenas 1.204 famílias acampadas, em nove acampamentos em todo o país.

Temosatualmente mais de 60 mil famílias acampadas em 24 estados.

Levantamentodo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aponta que há156 mil famílias acampadas no país, somando todos os movimentos que lutam pelademocratização da terra.

Arevista tentou dar um tom de credibilidade com as visitas a uma região do RioGrande do Sul, onde nasceu o Movimento, e ao Pontal do Paranapanema, em SãoPaulo.

Secontassem apenas os acampados nessas duas regiões, chegariam a um número bemmaior do que divulgou.

Areportagem poderia também ter ido à Bahia, por exemplo, onde há mais de 20 milfamílias acampadas que organizamos.

Orepórter teve oportunidade de receber esses esclarecimentos e até a lista deacampamentos pelo país.

Masnão quis ou não fez questão, porque se negou a mandar as perguntas por e-mailpara o nosso setor de comunicação.

Outraforma seria perguntar para o Incra ou pesquisar no cadastro do Núcleo deEstudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária da Universidade Estadual deSão Paulo (Unesp). Tampouco isso a IstoÉ fez.

Sefoi um erro, além de incompetente, a direção da IstoÉ é irresponsável ao amplificá-lona capa da revista.

Senão foi um erro, há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossavã filosofia, como escreveu William Shakespeare.

Odesvio

AIstoÉ se notabilizou nos últimos tempos nos meios jornalísticos como umarevista venal. A revista é do tipo "pagou, levou”. Tanto é que tem o apelido de"QuantoÉ".

Governos,empresas, partidos, entidades de classe, igrejas (vejam a capa da semanaanterior) compram matérias e capas da revista. E pagam por quilo, pelo "peso”da matéria.

Amatéria da IstoÉ não é fruto de um trabalho jornalístico, mas de interesses desetores que são contra os movimentos sociais e a Reforma Agrária.

Nãoé de se impressionar uma vez que a revista abandonou qualquer compromisso comjornalismo sério com credibilidade, virando um "ativo” para especuladores.

NelsonTanure e Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, banqueiro marcado por casos decorrupção, disputaram a compra da revista em 2007.

Como que esses tipos têm compromisso? Com o dinheiro deles.

Reaçãodo latifúndio

Amatéria é uma reação à nossa jornada de lutas de agosto.
Forammobilizados mais de 50 mil trabalhadores rurais, em 20 estados.
Umacampamento em Brasília, com 4 mil trabalhadores rurais, fez mobilizaçõesdurante uma semana e ocupou o Ministério da Fazenda para cobrar medidas paraavançar a Reforma Agrária.
Ajornada foi vitoriosa e demonstrou a representatividade social e a solidez dasnossas reivindicações na luta pela Reforma Agrária.

Ogoverno dobrou o orçamento para a desapropriação de terras para assentar 20 milfamílias até o final do ano, liberou o orçamento para cursos para trabalhadoresSem Terra, anunciou a criação de um programa de alfabetização e a criação de umprograma de agroindústrias.

Interessesforam contrariados e se articularam para atacar o nosso Movimento e a ReformaAgrária. Para isso, usam a imprensa venal para alcançar seus objetivos.

Osresultados da jornada e a reação do latifúndio do agronegócio, por meio de umarevista, apenas confirmam que o MST é forte e representa uma resistência àtransformação do Brasil numa plataforma transnacional de produção dematéria-prima para exportação e à contaminação das lavouras brasileiras pelautilização excessiva de agrotóxicos.

Aluta vai continuar até a realização da Reforma Agrária e a consolidação de umnovo modelo agrícola, baseado em pequenas e médias propriedades, nodesenvolvimento do meio rural, na produção de alimentos para o povo brasileirosem agrotóxicos por meio da agroecologia.

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