Aos 44 anos de idade, o ala do Flamengo, Oscar Daniel Bezerra Schmidt, ainda fala de basquete como uma criança que acaba de conhecer o quique de uma bola. A primeira impressão ao olhar o gigante de 2,04m é quebrada rapidamente. Com temperamento forte nas quadras, fora delas Oscar se mostra um menino capaz de se emocionar rapidamente ao lembrar momentos importantes em sua trajetória como jogador de basquete, que começou aos 13 anos na capital federal. Um dos poucos atletas a ter disputado cinco olimpíadas, colecionador de recordes, campeão Pan-Americano pela Seleção, e com mais de 48 mil pontos, Oscar, ou "mão santa'', apelido dado pela precisão dos arremessos, não se deixa levar pelos números. Respeitado na Espanha e na Itália, onde conquistou títulos, e até no poderoso basquete da NBA, ele se mostra simples e sincero. Em entrevista ao Correio Regional, Oscar revela que deve parar de jogar em 2003, mas demonstra ainda não saber o que vai fazer depois da aposentadoria. Acaba deixando evidente a saudade que sente do filho Felipe, 16 anos, que está estudando e jogando na Flórida, Estados Unidos . Oscar, qual o balanço que você faz deste ano de 2002? Este foi um ano muito intenso emocionalmente na minha vida porque joguei com Felipe, meu filho, em jogos oficiais do Flamengo, o que era um grande sonho. Além disso, ia encerrar minha carreira em maio, junho, mas não foi possível porque me expulsaram no último jogo da Liga Nacional e o Flamengo acabou saindo de quadra (o Flamengo perdeu para o Ribeirão Preto por 84 a 78 no dia 19 de maio e foi eliminado). Não queria que minha carreira terminasse daquele jeito e resolvi seguir. E agora teve o Campeonato Estadual em que fizemos uma bela campanha e nos classificamos para a próxima Liga Nacional. Mais de 30 anos no basquete, títulos inéditos, recordes e o respeito até de astros da NBA, o basquete profissional. Falta ainda realizar algum sonho Oscar? Meu maior desafio agora é superar os limites do meu corpo. Me sinto uma pessoa feliz, nunca imaginei chegar onde cheguei, imaginava muito menos do que isso. O dia a dia do trabalho foi me dando maneiras de continuar e melhorar sempre mais. E deus me ajudou a não ter uma contusão grave, só tive uma no início. Então meu desafio é vencer o dia, porque uma contusão grave pode acaba com a minha carreira. Vivo o desafio de um treino, de um jogo e de um campeonato. Cada dia que eu acordo é buscando a vitoria de mais um dia. O sonho é poder continuar jogando com a idade avançada para o esporte. No ano que vem você vai completar 45 anos, que é uma data redonda. A festa vai ser em quadra? Espero que sim. Espero jogar a Liga Nacional, que deve ser meu último campeonato. Aí o contrato com o Flamengo termina e eu devo parar. Não vou falar que será o último porque tive uma grande decepção com isso, como já disse. Sinto muita felicidade em poder estar jogando bem ainda. Entrar de vez em quando é uma coisa, agora estar sendo decisivo para o time é outra. E graças a Deus tenho essa oportunidade. As informações são de que o Felipe está indo muito bem no basquete colegial americano. Como é a sua relação com o ele, afinal de contas ele é filho de um dos maiores jogadores do mundo e isso deve ser difícil? Ele tem uma cabeça muito boa e ama jogar basquete. É a coisa mais importante para ele e eu não posso impedir isso. Seria melhor que ele tivesse escolhido outro esporte, mas ele adora o que faz e me pediu para jogar nos Estados Unidos. Está lá na High School, tem 16 anos, foi para lá há dois anos. Eu preferia que ele estivesse aqui embaixo da minha "saia" mas é impossível. Não poderia deixar de proporcionar isso a ele. E quem sofre não é ele é a gente, que fica sentindo a falta. Mas eu sei que essa experiência é muito boa. Ex-atletas de outros esportes, como o Zico, dizem que às vezes sonham que estão atuando ao lado dos jogadores de hoje, mesmo muito tempo depois de ter abandonado a carreira. E você Oscar, depois de tanto tempo,
O eterno "cestinha" - entrevista com Oscar Schmidt
Sexta, 20 de Dezembro de 2002 às 18:21, por: CdB