Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

O espectro

Por Marcos Rolim - Os severinos unidos jamais serão vencidos. Eles trabalham muito e, por isso, enriquecem rápido. São espertos, também. Defendem a propriedade privada, mas a registram em nome de laranjas. Se dizem religiosos, não perdem procissão e se passam por algum velório, entram. (Leia Mais)

Quinta, 24 de Fevereiro de 2005 às 09:46, por: CdB

Um espectro ronda a política mundial - o espectro do Severinismo. Todas as potências da razão e da democracia se unem para conjurá-lo, mas as eleições assinalam a tendência inexorável de sua afirmação. O fenômeno já é perceptível em todos os partidos e não apenas entre aquele onde os representantes do povo se notabilizaram pela máxima do "é dando que se recebe" e pela transformação dos seus mandatos em escritórios de despachante. Os severinos unidos jamais serão vencidos. Eles trabalham muito e, por isso, enriquecem rápido. São espertos, também. O Severinismo defende a propriedade privada, mas a registra em nome de laranjas. Se dizem religiosos os militantes desta tendência, não perdem procissão e se passam por um velório, entram. Mantém abrigos para pessoas humildes e ajudam instituições carentes. São almas caridosas com o dinheiro público, como se sabe.

Especialistas em acender uma vela para Deus e outra para o Diabo, prometem para os dois e votam em um terceiro. Defendem os "valores da família" o que significa, sobretudo, empregos para os parentes. Amam a natureza, razão pela qual querem se aposentar como ruralistas. Enquanto isso, representam o latifúndio e a Monsanto e estão sempre próximos do Poder. Observem a foto de uma pessoa importante nos jornais; atrás dela haverá sempre um severinista. São papagaios de pirata que viraram piratas.

Os severinistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados com a venda dos seus serviços aos financiadores de campanhas, com a derrubada violenta do bom senso e com o estabelecimento da ditadura dos caras de pau. São chamados de impatriotas por pretender abocanhar para si remunerações "mais dignas", mas os severinistas não têm pátria e seu movimento é internacional. Os severinistas nada têm a perder a não ser suas emendas.

Finalmente, nos períodos em que a luta de classes se aproxima da hora decisiva, o processo de dissolução da classe dominante, de toda a velha sociedade, adquire um caráter tão violento e agudo, que uma pequena fração da classe dominante (não mais que 300 picaretas) se desliga desta, ligando-se ao Severinismo, o movimento que traz em si o futuro. Neste período, o Severinismo já estará infiltrado em todo o Estado burguês, Diogo Mainardi escreverá para uma revista de circulação nacional e haverá um programa na TV onde pessoas ficam dentro de uma casa coçando e milhões ficam olhando.

A contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas da base de sustentação dos pequenos expedientes com as relações sociais de produção de asneiras abrirá uma situação de crise revolucionária onde os de cima já não poderão governar porque não haverá balcões suficientes para as negociações e onde os do baixo clero já não serão governados, a menos que dobrem seus salários ou sejam submetidos à mira de um dicionário. Severinistas de todo o Brasil, uni-vos contra as células tronco e a união homossexual! Sua palavra de ordem, sabe-se agora, é: "Contra o petismo, o deboche para o Brasil". A conta, não se preocupem, será paga pelos lascados. Como sempre.

Marcos Rolim é jornalista e atua como consultor em Segurança Pública e Direitos Humanos. Foi deputado estudal e federal pelo PT do Rio Grande do Sul.

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