Rio de Janeiro, 29 de Outubro de 2026

O eixo Brasília-Teerã

Por Gilberto de Souza - A amizade, o respeito à trajetória humanista e as origens humildes de Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva, presidentes da Venezuela e Brasil, aproximam os mandatários de, hoje, uma possível hegemonia petrolífera do Ocidente. (Leia Mais)

Terça, 20 de Novembro de 2007 às 14:28, por: CdB

A amizade, o respeito à trajetória humanista e as origens humildes de Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva, presidentes da Venezuela e Brasil, aproximam os mandatários de, hoje, uma possível hegemonia petrolífera do Ocidente. Ambos acompanham, de perto, o desenvolvimento de experiências socializantes em países como a Bolívia, com Evo Morales, o Equador, com Rafael Corrêa e, mais recentemente, a Guatemala, com Alvaro Colom, em um dos mais importantes entroncamentos na ligação entre as Américas do Sul e do Norte. Nesse último, então dominado pela política externa norte-americana, na figura do general Otto Perez Molina, caiu uma das fronteiras mais violentas entre o stablishment dos EUA e o ideário socialista que agora flui desde a Nicarágua até o Cone-Sul.

 

Os ventos do comunismo originam-se na experiência cubana e se misturam ao socialismo de um Chile moderado, mas firme na proposta de reduzir as profundas desigualdades sociais de seu povo. A presidente chilena, Michele Bachelet, embora guarde traços quase neoliberais em sua administração, não deixa dúvidas quanto a sua tarefa maior, que é manter aquela nação no rumo de uma sociedade mais justa e igualitária, a exemplo do que vem ocorrendo na Argentina. A vitória dos Kirchner, nas urnas, em uma história de quase uma década de participação na vida democrática daquele país, forma a pérola da coroa que cerca o Brasil desde o Caribe até a Patagônia.

 

Aqui, nas plagas de língua portuguesa, até os adversários mais aguerridos da atual política do Palácio do Planalto são forçados a reconhecer que o cidadão natural de Garanhuns (PE) tem uma estrela que deixa com ciúmes até a mais brilhante delas, a do meu querido Botafogo. Mas, diferentemente das jogadas habilidosas nascidas no talento do escrete alvinegro, o Planalto calcula, friamente, cada passo rumo à integração latino-americana e à posição de liderança que cabe ao país. Nesse processo de aproximação multilateral, atores de primeira grandeza cruzam os céus, em jatinhos abastecidos com gasolina ora fornecida pela Pedevesa, ora pela Petrobras, em um movimento frenético, entremeado de montes de e-mails, centenas de ligações internacionais e com as contas pagas por cartões de crédito reluzentes. Desde a construção de Brasília, no traço do comunista Oscar Niemeyer e do discurso de Jango, na Central do Brasil, o ideário socialista não se via tão fortalecido. Embora não seja, por enquanto, capaz de tirar o sono do Tio Sam tanto quanto a resistência dos iraquianos, o bloco socialista em gestação na América Latina já começa a preocupar os falcões.

 

Forjada nas lucrativas guerras em que mete a maioria do povo norte-americano, uma considerável parcela da população dos EUA vive à sombra dessas aves de rapina. Deve a eles suas casas de compensado, junto com hipotecas impagáveis, os Suvs de quatro quilômetros por litro que aquecem o planeta; além de certa paranóia, um sentimento profundo de que ninguém gosta deles. Sem contar aquele ar de superioridade somente visto em Roma, pouco antes da queda. Esse norte-americano médio, capaz de jurar que a capital do Brasil é Buenos Aires, com um monte de dólar sob o colchão, sua frio só de pensar que sua vidinha medíocre será irreversivelmente transformada por uma nova ordem mundial. Tem espasmos ao constatar que a pax impressa

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