Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

O Egito hoje em seu "Dia D"

Sexta, 04 de Fevereiro de 2011 às 08:05, por: CdB

Três dias após o início dos confrontos travados com tiroteio, paus e pedras entre partidários e opositores do ditador Hosni Mubarack no Egito - e 10 dias após o início das manifestações pela sua derrubada - em boa hora a mídia mundial encerrou o debate cínico no qual deixava no ar a dúvida se os que iniciaram as agressões seriam ou não pessoas infiltradas pelo general, que ocupa o poder no país há 30 anos.

É óbvio que os confrontos foram organizados pelo governo e seus orgãos de segurança. Agora é partir para medidas práticas, que levem a derrubada de Mubarak e instaurem a democracia e a estabilidade no Egito. Até os Estados Unidos, que sustentam e protegem o ditador há 30 anos - e ditaduras no Egito há mais de meio século - as estão adotando, ainda que ao modo arrastado deles.

De preferência, que Mubarak caia hoje, "Dia D" estabelecido pela oposição e pelos milhares de manifestantes que há 10 dias ocupam as ruas do país dia e noite exigindo sua renúncia. Já há conquistas para comemorar: através de seu vice-presidente, Mubarak anunciou que o filho Gamal, que escolheu para sucedê-lo, não mais disputará a eleição presidencial - pleito, em princípio, marcado para setembro, mas que a rebelião popular exige que seja já.

Mubarak desfia pretextos para não ir embora

Ninguém mais aguenta o cinismo do próprio Mubarak e de seu regime, histórias do tipo dessas que ele levou em entrevista à Rede ABC de TV dos EUA, na qual afirmou estar "farto" de tudo, mas que não deixa o poder porque depois dele viria "o caos".

Vamos ver se a giganteca manifestação de protesto programada para hoje no Cairo põe um ponto final nessa história em que se alinha uma tragédia de números: mais de 300 mortos (13 só nos últimos dois dias) segundo os dados da ONU e mais de 1.500 feridos, centenas ainda hospitalizados.

A oposição já sabe que não há a menor possibilidade de diálogo com o regime apodrecido - e nem quer, até porque enquanto renova suas propostas de negociações, Mubarak amplia a repressão. Sem contar as manobras mentirosas, como a da TV egípcia anunciar que esses entendimentos já começaram. Se o protesto de hoje não tiver os desdobramentos esperados - fim do regime - só resta a oposicão a greve geral e a insurreição completa no país.

 

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