O Comitê Financeiro do FMI aceitou aumentar em 10% o número de cotas distribuídas aos 185 países de acordo com a contribuição de cada um ao fundo.
Com base nestas cotas, define-se o quanto cada país pode tomar emprestado do Fundo, e o poder de voto de cada nação nas decisões do FMI.
A expectativa é que as novas cotas sejam divididas entre os países emergentes, mas ainda não foram definidos os critérios que organizariam esta distribuição.
Guido Mantega destacou que um caminho será elevar o peso do Produto Interno Bruto (PIB) na fórmula que define os votos que cabem a cada país.
"A fórmula ainda não foi totalmente definida, mas o primeiro elemento passa a ser o PIB, que antes tinha apenas 25%, um peso menor. Agora, passa a ter 50%", disse Guido Mantega.
Com isso, serão beneficiados países que têm experimentado crescimento econômico, como Brasil, China e Índia.
Além disso, o fundo divulgou que deve pelo menos dobrar o número de votos básicos atribuídos a cada país independentemente dos votos definidos pela cotas.
Isto deve beneficiar economias menores, que aportam menos recursos ao fundo e portanto têm direito a menos votos.
'Insuficiente'
"É claro que ainda é insuficiente para haver um novo equilíbrio de forças dentro do Fundo Monetário. Porém, é um passo importante", afirmou Mantega.
O Brasil conta com 1,42% de votos no FMI. Os países que contam com maior número de votos dentro do fundo são os Estados Unidos (17,08%), Japão (6,13%), Alemanha (5,99%), França (4,95%), e Grã-Bretanha (4,95%).
Segundo Mantega, a postura de liderança brasileira frente a outras nações emergentes poderá contribuir para que o FMI acelere as reformas.
"Nós vamos ter um papel importante, porque o Brasil assume, agora em novembro, a presidência do G20, na África do Sul. E o G20 tem um papel fundamental para dar seqüência ao que poderá desembocar numa fórmula completa, que será definida até a reunião de abril (do FMI e do Banco Mundial)".
Mantega também saudou o compromisso do fundo de criar uma linha de crédito com a finalidade de prevenir crises nos países emergentes.
G7
O ministro disse que também quer ver a incorporação dos principais países emergentes ao G7, o que, segundo ele, faria com o que o grupo se transformasse em G12 ou G13.
O G7 é formado pelos sete países mais industrializados do mundo: Alemanha, Estados Unidos, Japão, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá.
Recentemente, o ministro das Finanças alemão, Peer Steinbrueck defendeu a inclusão de países de economias emergentes ao grupo.
A ampliação do G7 é um dos temas do encontro que Mantega terá nesta segunda-feira com o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson.